quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Desejos de crianças - O gesso no braço quebrado


Eu morria de vontade de quebrar um braço ou uma perna ou até um dedinho que fosse já estaria bom, pois achava muito legal aquele gesso branco onde os amigos podiam escrever tudo que tivessem vontade, mas não foi possível.


O único que fraturou o braço foi o meu irmão caçula João, nós gostávamos de subir nas árvores que tinha ao lado da nossa casa, mas nesse dia resolvemos mudar um pouco, sair da rotina, ou seja, procurar “chifres em cabeça de cavalo”.


Na casa da nossa vizinha bem próxima a janela tinha uma árvore chamada flor do cabo, e foi dela que o meu maninho despencou e esborrachou feito um abacate maduro. Corri para socorrê-lo e então constatei que havia algo errado, o osso do cotovelo estava fora do lugar.



Não pensei duas vezes e empurrei o mesmo para o lugar (fui até elogiada pelo médico ele disse que o procedimento estava correto). Difícil foi explicar para mamãe, porque eu é que estava tomando conta dele, afinal chegamos todos chorando em casa: ele de dor e nós de medo.


Esclarecido tudo ele foi levado para o hospital da cidade de onde voltou com um gesso lindo que quase nos matou de inveja, igualzinho aquele com o que sempre sonhei.


No começo como doía ele ficou quieto, mas com o passar do tempo só faltava subir pelas paredes porque o resto fazia de tudo. Depois de 40 dias o gesso foi removido e o médico recomendou para que ele carregasse um à latinha com terra como exercício para o bracinho, (a fisioterapia pelo modo laitense)mas nós como queríamos ajudá-lo e acabávamos carregando a latinha para ele.


Mas mesmo assim acho que sarou, pelo que sei nunca reclamou. Há uns anos atrás, eu cai da escada e fraturei o pé esquerdo e depois de um ano foi o direito confesso que não teve graça nenhuma, ate porque aquela menina já não existia mais dentro de mim,foi uma chatice só.


Mas quem bateu o recorde foi uma das minhas sobrinhas, aos sete meses sua irmã apenas um ano mais velha pulou em cima dela no berço e fraturou o seu braço. Era ate bonito de ver ela engatinhando e batendo o gessinho no chão com aquele toc toc .


Recordo com saudade... bons tempos aqueles em que tudo era engraçado até um pé engessado.

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