sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Minissérie Nunca desista dos seus sonhos - Capítulos 47 - 48 - 49


Da Casa de Forças os chefes das diversas unidades da companhia seguiram em bloco, atrás de Mr. Smith e Pagan, pela rampa que conduz às belas casas da chefia. Uma vez lá e devidamente instalados ao redor de uma mesa enorme, retangular, de madeira de lei escura, postada numa varanda cercada por tela, era perceptível nas faces de Saydel, Salvestrini, Laércio Veiga, José de Castro e todos os demais líderes, expressões de ansiedade e satisfação. Mr. Smith estendeu mapas e diversas plantas de engenharia, esplendorosamente bem feitas pelos antigos engenheiros, sobre o tampo da mesa e não tardou para que um enorme bule de café passado na hora fosse trazido da cozinha com duas dúzias de xícaras: um dos homens da manutenção pensara nesse pequeno e importante detalhe! Xícaras foram imediatamente servidas, cigarros e cachimbos acesos e a reunião teve início. Mr. Smith, de imediato, quis saber de seu grupo de assessores se valia a pena uma restauração total das edificações existentes na Vila ou se era mais prático derrubarem tudo e começar dos alicerces. Alguns homens se manifestaram defendendo suas posições, outros, contra-argumentaram. Mr. Smith na cabeceira da mesa ponderava em silêncio a maior parte do tempo. De vez em quando perguntava algo, dava um ponto de vista, até que a certa altura resolveu: "Dinheiro não será problema! Não teremos falta de material de primeira qualidade para tudo o que precisarmos. Teremos também uma infraestrutura de transportes com caminhões entregando todo o material e ferramentas necessários. E tendo ouvido as ponderações dos senhores entendo que é chegado o momento de uma decisão. E ela é a seguinte: Nós, literalmente, passaremos a vila 'a limpo'! Derrubaremos as poucas paredes que ainda estão de pé e reconstruiremos tudo do zero! Vocês estão comigo nisto? Conseguirão motivar seus homens para termos tudo novinho em folha no prazo de um mês?". Após alguns segundos de silencio quando alguns olhares foram trocados por aqueles homens fortes, corajosos, experientes, alguém se levantou e respondeu pelo grupo: "Sim, Mr. Smith! Nossa gente já sofreu demais de saudade e já esperou demais por isto! Nós faremos tudo em um mês, sob a sua liderança se o senhor nos garantir os recursos... Trabalharemos noite e dia, mas, conseguiremos!". Havia lágrimas nos olhares da maioria daqueles homens quando mãos foram apertadas e eles começaram a se dirigir para fora daquela linda casa tranformada em central de operações e a caminhar em direção aos seus liderados que os aguardavam no campo...





E assim o milagre se fez! Felizes por participarem do milagre da reconstrução, homens das mais diferentes profissões, agrupados sob a liderança de seus antigos chefes e organizados em turnos, para que pudessem ter um período de descanso, passaram a trabalhar dia e noite em Itupararanga. Conforme prometera, Mr. Smith supria toda a infraestrutura para que o Vale Encantado, assim como fora na época da construção da Usina, 100 anos atrás, se transformasse num gigantesco canteiro de obras. Daí era, a todo instante, um entra e sai de caminhões trazendo pedras, tijolos, cimento, cal, canos, madeira, fios, portas, janelas, tintas, ferramentas, parafusos, pregos e levando embora do vale, raízes, tocos, capim, entulho e tudo aquilo que não serviria para que tudo ficasse idêntico ao projeto original imaginado pela empresa canadense São Paulo Electric Company Ltd. Antes mesmo dos caminhões, as plainadoras foram as primeiras a passar pelo portão e adentrarem na área refazendo, com suas imensas pás, as ruas da vila que estavam tomadas pelo mato e praticamente intransitáveis. Isso foi fundamental para que, na sequência, os referidos caminhões pudessem chegar em todos os cantos da vila nesse leva e trás de coisas. Para alimentar aquele batalhão de trabalhadores, foram levantadas duas imensas tendas-refeitórios. Uma ficava entre o Escritório e a Usina, outra, sobre o aterro, que fora recuperado e reconstruído pelas plainadoras e caminhões basculantes carregados com terra vermelha que não paravam de chegar. Portanto, havia muito espaço naquela nova “estrada” que começava logo após a Curva do Vento e seguia – sempre colada ao morro e nunca atravessando o rio, em direção à vila e chegava à altura do lago que todos conheciam como Largão. As tendas-refeitório eram imensas, com mesas enormes, iluminação adequada, equipadas com depósito para alimentos, freezers e fogões industriais. Para trabalhar nas tendas-refeitório foram trazidas todas as mulheres que trabalharam nas Pensões em diferentes gerações. As tendas ficavam abertas 24 horas por dia e foi o próprio Mr. Smith quem se responsabilizou pela escala de alimentação das turmas de trabalhadores para que tudo funcionasse como um relógio e seu “exército” de profissionais estivesse sempre bem alimentado e os homens dispostos ao trabalho. Com o prolongamento do aterro, muitas barracas foram erguidas e reagrupadas por ali também. Era lindo de se ver! Num sobrevôo sobre a Vila da Usina de Itupararanga nesses dias seria possível ver grupos de homens em seus uniformes em plena atividade ou se deslocando de um lado a outro, rumo aos refeitórios, voltando deles, indo descansar, ou seguindo para o seu turno de trabalho. Banheiros químicos foram providenciados em todos os lugares. Havia também uma área de chuveiros junto às tendas, mas, muitos preferiam, no melhor estilo “Aureliano Pedroso”, ir com sabonete e toalha até a Cachoeirinha e se banharem em suas águas abençoadas. Rolos de fumaça subindo aos céus, denunciavam intensa atividade humana na área. Felizmente era fumaça produzida pelo esforço de reconstrução e não do abate de árvores ou queimada das mesmas e da vegetação em redor. Durante a noite, unidades geradoras de energia sobre carrocerias de caminhões alimentavam holofotes imensos que faziam a noite parecer dia. E assim os dias foram passando e, uma a uma, as casas ressurgindo. Havia gente, recursos e disposição suficiente e todas as casas foram surgindo, de seus alicerces, tijolo após tijolo, ao mesmo tempo... Era algo lindo, emocionante. Parece que os homens competiam para ver quem conseguia terminar a casa antes. Mas, era uma competição que virou motivo de riso porque estava sempre empatada. E foi assim que em 29 dias, 19horas, 04 minutos e 55 segundos a última demão de tinta foi dada no último edifício a ser restaurado naquele vale que rescendia de novo, que renascera das cinzas...no prédio da Sede!


...Continua

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Minissérie Nunca desista dos seus sonhos - Capítulos 44 - 45 - 46


Não demorou muito para que uma base fosse arranjada. Era uma espécie de mesa trazida do interior da Casa de Força. Sem muita dificuldade Mr. Smith subiu nela e, uma vez lá em cima, estendeu a mão direita para ajudar o Pagan a subir. Agora todos os homens, até os que se encontravam lá atrás, na última fila, na altura da garagem, viam perfeitamente a silhueta dos dois homens sobre aquela plataforma improvisada. Eles estavam sem microfone mas Pagan tinha o megafone usado nos dias anteriores numa das mãos. Então, após alguns instantes, quando a agitação pelo surgimento dos dois homens estabeleceu-se entre aquele mar de funcionários, agora reinava o mais absoluto silêncio em toda a área quando Mr. Smith começou a falar... Ele postava-se meio de lado, como que conversando unicamente com seu intérprete e, este, com o megafone diante da boca, tornava as palavras que ouvia em inglês, compreensíveis aos seus iguais postados diante deles. Seus ouvidos captavam cada palavra que Pagan dizia, mas, todos os olhares permaneciam fixos naquele curioso estrangeiro...

                          Local onde Mr. Smith fez o discurso diante da multidão de funcionários...


O discurso: "Amigos, eu tenho certeza de que vocês todos estão todos preocupados com minhas últimas decisões, especialmente, pelo fato de eu ter ordenado que fizessem suas esposas e filhos retornar a seus lares nas cidades circunvizinhas... Eu não os culpo, acreditem: eu também estaria... Especialmente depois de termos passado estes últimos dias num clima tão gostoso, de reencontro, de restauração, de sentimento de reconstrução... É como se um lindo sonho de vocês todos estivesse sendo bruscamente interrompido... Mas, amigos, prestem muita atenção: não é nada disso...Na verdade é exatamente o oposto do que vocês estão pensando". E aqui, Mr. Smith fez pequena pausa, indicou a alguém próximo que estava precisando de um gole de água e, pode-se ver alguém lá na frente, junto a Mr. Smith e Pagan, sair apressado em direção ao interior da Usina. Sem esperar pela água, Mr. Smith aproximou uma das mãos meio fechadas da boca, pigarreou, pediu desculpas e continuou: "Rã..Rã, Desculpem... Vamos tentar continuar assim mesmo...". Excetuando-se o som do pigarro, o atento tradutor, Pagan, repetiu fielmente cada palavra de Mr. Smith ao megafone. Mr. Smith prosseguiu: "Pois bem, amigos, acalmem-se! Continuamos todos aqui, reunidos, com o mesmo propósito em nossas mentes e corações. E esse propósito agora está mais forte que nunca! Eu quero que saibam que, a princípio, eu tinha um cronograma. Um mapa, onde eu tinha detalhado todos os passos para, junto com vocês, usando o talento, o conhecimento e a habilidade de cada um, mestres que são em suas diferentes especialidades, recontruirmos tudo aqui em nosso Vale Encantado. Mas..." e antes que Mr. Smith continuasse, alguém se aproximou e elevou a ele um litro transparente, de boca larga, como os antigos litros de leite leite, cheio até a boca com água fresca da bica. Ele fez um sinal com a mão à multidão, como quem diz "Um momentinho". Serviu-se de uma bela talagada, deixando cair um pouco de água em seu peito. Em seguida ofereceu o mesmo litro ao Pagan, que não se fez de rogado. Colou os lábios no litro e bebeu, bebeu, bebeu... e bebeu! Mr. Smith fez uma careta e apontou para seu tradutor no alto daquela mesa, daquela plataforma improvisada sobre a qual ambos estavam e aquelas centenas de homens diante deles, já mais descontraídos com as primeiras palavras do discurso de Mr. Smith e com a sede do Pagan que parecia estar numa ressaca braba, abriram largos sorrisos. Mr. Smith pegou o megafone das mãos de Alberto Pagan e arriscou num portunhol dos mais sofríveis: "Pagan parece um borrachon, não?". Mais risadas...

Alguns homens riram do comentário de Mr. Smith que tratou de prosseguir com seu  discurso. "Bem, mas, continuando... Eu tinha um cronograma segundo o qual teríamos todo nosso vale restaurado em 6 meses, com todos nós trabalhando num determinado ritmo. E isso incluía a limpeza de toda a área aqui entre estas montanhas, o corte de todo mato ao longo do rio e das ruas, a remoção de toda pedra e entulho que estivesse fora do lugar. Meu plano previa a restauração completa de todas as casas - da fundação ao telhado, passando pelo acabamento, a parte elétrica, hidráulica, a pintura...Meu projeto também vislumbrava novos: campo, vestiários, sede, pensões, área dos churrascos... Novos campos de malha e de bocha, escolinhas (do Balanço e a do Acampamento)...E, caros amigos, segundo meus planos, teríamos  tudo isso concluído em 6 meses, com todos já morando aqui. Mas, depois do que vi a noite passada...Noite, aliás, em que não consegui pregar os olhos... Lembrando-me da alegria que observei no olhar de cada um de vocês, da emoção que tomou conta de cada homem, mulher, jovem, criança... Observando da janela de minha casa as fumaças das fogueiras subindo de todos os acampamentos que mandei montar para que vocês passassem esta noite juntos, eu me dei conta de uma coisa importante. Eu me dei conta que essa coisa mágica, poderosa que vocês sentem uns pelos outros e por cada centímetro deste lugar chama-se AMOR. E amor, amigos... Amor lindo assim não pode e nem deve esperar! Então, em vez de 6 meses (com a presença de suas famílias aqui), decidi que era hora de fazer vossas esposas e filhos voltarem para vossas residências atuais para que nós outros, os profissionais que aqui ficássemos estivéssemos 100% focados no trabalho de restauração. E assim, amigos, não teremos de esperar por longos 6 meses... Mas, apenas 1 mês!...SIM, UM MÊS APENAS...(e aqui Mr. Smith elevou a voz)...para que estejamos novamente todos  reunidos numa grande e inesquecível festa e para, daqui, nunca mais sairmos!". Quando Mr. Smith pronunciou essa última palavra, todos os homens diante daquela plataforma improvisada, começaram a aplaudir, a assoviar a se abraçar! Todos, absolutamente todos, tinham os olhos marejados...

...Continua

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Minissérie Nunca Desista dos seus sonhos - Capítulos 40-41-42-43


Os primeiros raios de Sol começaram a tingir o céu por trás das montanhas, acompanhados de cantos de galo seguidos de uma sinfonia de pássaros e insetos, sons muito familiares à toda aquela gente... Nas barracas, apenas os muito novos ou muito idosos dormiam... Aquela fora uma noite de vigília e de muitas histórias, lembranças, causos, troças, gargalhadas, acompanhados de bules e mais bules de café. Mr. Smith havia deixado provisões nas barracas e essa noite foi regada a café e muita picoca (salgada e doce) que as Filhas da Light não paravam de preparar. Naturalmente, as recomendações daquele líder estrangeiro não foram cabalmente seguidas. Se bem se lembram do que ele dissera: "Dentro de cada barraca vocês encontrarão tudo o que necessitam para fazerem fogueiras, prepararem uma deliciosa refeição e ficarem conversando até por volta da meia-noite, em grupos de cinco a seis famílias, quando então deverão se recolher para uma boa noite de descanso. No interior das barracas também há leitos improvisados. Amanhã, sugiro que se levantem entre 6h30 e 7hs, quando a passarada começar a fazer festa para saudar o novo dia que nasce, que preparem também um rápido café comunitário e voltem para aqui perto desta estrutura para receberem novas orientações...". A parte das fogueiras e das refeições comunitárias foram acatadas, mas, daí para frente, ninguém conseguiu se afastar das rodas em torno das fogueiras para estar de pé entre "6h30 e 7h". Simplesmente ninguém conseguia se afastar daqueles amigos tão queridos, após tantos anos sem contato. Havia muita coisa a ser conversada, muitas memórias comuns, muita emoção e alegria a ser compartilhada... "Vocês se lembram das travessuras do endiabrado Flávio Soares pregando peças em todo mundo noites afora aqui na Vila?", alguém dizia. E gargalhadas vinham acompanhadas de comentários de um e de outro e de mais um terceiro: "É mesmo!"..."Esse era um capeta!"..."Quase matou fulano do coração se fingindo de assombração!"...E mais risadas. Noutro acampamento falava-se de aspectos, digamos, mais "anatômicos" de um e de outro: "Vocês viram como o Décio está fortão?! Será que anda tomando biotônico até hoje ou foi porque mamou até os 7 anos?"...E outra saraivada de risadas!". Gente, e o Billy? Se nariz não pára de crescer a vida inteira, onde aquilo vai parar?! Vai humilhar o pobre do Pinóquio!"...Mais gargalhadas!". "Gente, gente...", uma voz saída da noite invocava a memória coletiva ao redor da fogueira... "...Vocês se lembram que o 'Biunão' gritava 'Cimento de Glória!' e parecia o Capitão Marvel depois do 'Shazam!'? Parecia que se enchia de superpoderes e ficava doidão?" ...Mais sonoras gargalhadas...."Alguém, por favor, me passa o café?"..."Dizem que o 'Cimento de Glória' certa vez fez uso de sua super força e andou deixando um dos filhos do Raul desmaiado em cima do Pinheirinho da casa do Zinho!"..."Nossa!"..."Será que é verdade?"..."Ah, não sei...Ce sabe como o povo exagera! Mas que o sujeito ficava com uma superforça a isso é verdade"..."Ei, ei...Não se esqueçam do 'Bandido Cueca'!" ...Alguém aí quer mais pipoca?!"...




Então se fez dia e o Vale, com suas montanhas e lagos, foi sendo aos poucos tomado por uma claridade incomum, suave, diáfana enquanto as fogueiras ainda cripitavam e davam estalidos ao incandescerem uns poucos galhos que restaram da longa noite de vigilia. Em todos os acampamentos as pessoas se agitavam, cansadas fisicamente pela noite não-dormida, porém, espiritualmente animadas, dispostas, reunindo seus filhos para uma caminhada até a plataforma sobre a qual Mr. Smith lhes passaria novas orientações para o dia. Foi então que uma caminhonete verde, tendo o João de Oliveira ao volante e o tradutor Alberto Pagan ao seu lado, desceu a alameda e cruzou o bosque que circunda as mansões da chefia deixando um rastro de poeira atrás de si. O que chamou atenção foi que o motorista, da Casa de Pólvoras em diante, passou a buzinar insistentemente. E assim se aproximaram do primeiro agrupamento de barracas. Curiosas, perplexas até, as pessoas se aproximaram em silêncio enquanto o calvo Pagan subiu na carroceria da caminhonete e anunciou:"Mudança de planos! Mudança de Planos!". Mr. Smith decidiu que será melhor que todas as mulheres e crianças, exceto as que trabalhavam nas Pensões, se ausentem da Vila e voltem para suas casas pelo período de um mês, quando então serão convidados a regressar em caráter definitivo para a Vila". "Mas...!" . Alguém tentou argumentar quando o tradutor oficial do sr. estrangeiro completou: "Calma! Acreditem. Mr. Smith sabe o que é melhor para todos. Ele já está providenciando transporte para todos. Ninguém terá problema para voltar para casa. O Porcão e todas as viaturas da companhia estão em condições de efetuar o transporte e quantas viagens forem necessárias!". "Mas, e os homens?! O que vai acontecer com a gente? Por que isso agora? O que está acontecendo? O que vamos fazer?" as perguntas surgiram em muitas bocas preocupadas ao mesmo tempo! "Calma, calma! Já disse... Mr. Smith tem tudo sobre controle. Ele quer que todos...absolutamente TODOS os profissionais, independente do cargo que exerciam quando eram empregados da Usina permaneçam aqui. Novas ordens no final deste dia! Agora, ajudem suas mulheres e filhos se organizarem para partir! As conduções para o transporte deles partirá junto à ponte de ferro... Perto da Usina...De onde sempre saiu o Porcão!". E tendo ouvido isto, ainda um tanto confusos, centenas de Filhos da Light viram a caminhonete se afastar, tão rapidamente quanto chegara, para repetir as mesmas instruções em todos os demais acampamentos... !




Os relógios marcavam dez para as quatro quando a multidão de trabalhadores que aguardava em silêncio no pátio que ia desde a entrada da usina, junto à ponte de ferro, até a área dos escritórios e avançando em direção à garagem, percebeu que algo acontecia. Era uma massa compacta de ex-funcionários da usina, de todas as épocas, que tinham, há pouco, visto suas esposas e filhos voltarem às suas casas nas cidades próximas. Estavam voltados instintivamente para o prédio da Casa de Força, como se dali viessem as próximas orientações de Mr. Smith. Afinal, o escritório da chefia ficava ali, no pavimento térreo daquela belíssima edificação que abrigava as turbinas da Usina e era desse escritório que as ordens sempre procediam. A maioria estava sentada no chão e os poucos que conversam o faziam em um tom tão baixo que não passavam de sussurros. Mas, de fato, agora algo acontecia e como se tivessem recebido um comando e ensaiado o movimento, os homens que estavam lá na frente, na altura da entrada da Casa de Força, foram se levantando e os que estavam logo atrás o seguiram formando uma espécie de "Ola" - aquelas ondas de pessoas nos estádios - se formou da frente para trás. Num segundo estavam todos em pé e, lá na frente, era possível perceber os cabelos alourados de Mr. Smith e a calva perfeita de seu intérprete Pagan...

..Continua

domingo, 18 de dezembro de 2011

UM MILAGRE DE NATAL



As luzes do inclinado foram se acendendo, uma a uma, até chegar à casa de válvulas que ficou toda iluminada. A luz era tão forte, que chegava a ofuscar a minha vista e não foi diferente com as casas, a sede e por último a casa de força, como num passe de mágica.

Começou o burburinho e uma grande movimentação como nos velhos tempos, as pessoas tentando arrumar tudo aquilo que ficou adormecido por tantos anos e assim foi acontecendo por todos os cantos no jardim encantado.

As cachoeiras com holofotes enormes que fez um espetáculo a parte, uniu a beleza natural com as cores das luzes, mais parecia uma chuva de prata, jamais vista antes.

Do portão de entrada, passando pela curva dos ventos, tochas acesas dos dois lados, deram à impressão de um lugar medieval. Finalmente a casa de força, com sua capacidade total parecia um gigante soltando fogo. E no alto da montanha formou-se uma grande estrela pelos vaga-lumes, milhares deles.

Parece exagero da minha parte, mas tudo isso é para festejar o aniversário do nosso rei Jesus e foi assim que nós os Filhos da Light decidimos comemorar o Natal.

Que emocionante reencontrar com meus pais, irmãos e todos os amigos que um dia tive que deixar! Começar a faxina, montar a arvore de natal com pinheirinho natural, rever os antigos enfeites, tudo igual, como se alguém tivesse o cuidado de guardar para nós.

Mamãe correndo de um lado para o outro, distribuindo tarefas para que tudo fique pronto para a grande ceia em família. Papai encarregado de quebrar as castanhas como sempre fez, parece até que criou um quebrador de nozes, mas o legal mesmo era quando nós ficávamos em fila esperando ele quebrar na velha porta de madeira da cozinha. Aquele “croc croc” nunca saiu dos meus ouvidos.

O cheiro dos assados que vem do forno de tijolos começa a invadir a casa. Nossas roupas novas todas arrumadas em cima da cama, esse é mais um carinho de mamãe para conosco.

Lá fora está um alvoroço, aquele povo chegando vindo em direção ao grande foco de luz que se formou no céu da nossa vila, como os reis magos que seguiram as estrelas para encontrar o menino Jesus pois todos querem se abraçar e contar as novidades ao mesmo tempo, parece que está acontecendo um milagre de Natal, depois de tanto tempo de espera conseguimos nos reunir aqui.

Dona Luiza acabou de dar o seu toque final no lindo presépio, colocando finalmente o menino Jesus na manjedoura, esse presépio é uma das coisas mais lindas que já vi! Quando éramos crianças, sempre acompanhávamos a sua montagem.

Não esquecendo da linda árvore de Natal do Flávio, que dá para enxergar de vários ângulos da Vila. Em todos os cantos dá para ouvir a música "Noite Feliz "executada por muitos violinos, deixando ainda o ambiente mais tranqüilo.

Alguém esta me informando que toda essa iluminação está chamando a atenção dos meios de comunicação. Tomara que o barulho dos helicópteros não assustem os nossos animaizinhos que, a essa hora, dormem a sono solto.

O certo seria orientá-los para que façam pouso em cima da casa de força e com certeza o nosso querido presidente irá recepcioná-los e esclarecer que, finalmente, conseguimos voltar para o nosso tão sonhado vale encantado e que esse lugar maravilhoso, precisar ser conhecido pelo mundo inteiro.

Felicidade é assim que posso chamar a cada pessoa que encontro, com um grande sorriso querendo partilhar com o seu próximo essa grande vitória que só foi conseguida com as mãos de Deus e tenho certeza que esse é mais um milagre de Natal. Basta acreditar, que com Deus somos mais que vencedores.

O ponto alto do encontro será na sede nova onde já esta tudo preparado, sei que vai rolar muitas lágrimas, mas com certeza de alegria, por termos conseguido nosso maior objetivo que é mostrar que essa imensa luz dos Filhos da Light jamais se apagará, que durante anos e anos as pessoas que lá estiveram, continuam a iluminar as novas gerações para que jamais deixem de lembrar a importância desse lugar maravilhoso.

Desejo que esta luz continue a iluminar nossos corações no ano de 2012, aumentando nossa fé e renovando nossas esperanças.

Com a benção do aniversariante Jesus, um Feliz Natal a todos!

“Dedico esta crônica à nossa querida irmãzinha Adriana Jóia pedindo ao menino JESUS que esteja com ela em todos os momentos de sua vida”.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mais de 20 mil acessos - Muito obrigada ao som natalino de Elvis Presley

Agradecendo pelos mais de 20 mil acessos e desejando a todos um Natal maravilhoso ao som do rei do rock Elvis Presley.
Espero que gostem!!!
abraços
Natalina

Minissérie - Nunca desista dos seus sonhos - Capítulos 37 - 38 - 39


A tarde já está findando e acho melhor darmos uma última sugestão a todos vocês antes do pernoite de nosso primeiro dia!", anunciou o gringo louro, sempre traduzido pelo competente Alberto. "A dica é a seguinte: os que quiserem aproveitar os últimos raios de sol de hoje para pescar, seja nas águas da cachoeira ou ao longo de todo o rio, em seu caminho rumo à Usina e ao Portão, que está limpinho e piscoso como nunca, fiquem à vontade. Agora, uma última coisa por hoje, queridos amigos, vocês já devem ter visto centenas barracas armadas por todo o campo, no pátio defronte a casa do S. Bentico e ao longo do aterro. São barracas suficientes para todas as famílias. Na verdade, à porta de cada uma delas, há uma etiqueta com o nome da família que deverá ocupá-la. Dentro de cada barraca você encontrarão tudo o que necessitam para fazerem fogueiras, prepararem uma deliciosa refeição e ficarem conversando até por volta da meia-noite, em grupos de cinco a seis famílias, quando então deverão se recolher para uma boa noite de descanso. No interior das barracas também há leitos improvisados. Amanhã, sugiro que se levantem entre 6h30 e 7hs, quando a passarada começar a fazer festa para saudar o novo dia que nasce, que preparem também um rápido café comunitário e voltem para aqui perto desta estrutura para receberem novas orientações e prosseguirmos em nosso esforço de restauração deste nosso Vale Encantado! Fiquem à vontade para conversar bastante ao redor das fogueiras e para caminhar pelas ruas de nosso Vale Encantado. Mas, só façam isso se tiverem boas lanternas. Hoje a Lua estará em quarto-minguante e ainda não recolocamos todas as lâmpadas nos postes de nossa Vila. Isso, por outro lado, permitirá que um maravilhoso “lençol” de trilhões de estrelas esteja perfeitamente visível sobre vocês, num espetáculo que jamais será esquecido! Agora vão... Eu e Mr. Alberto também precisamos descansar. Também estaremos nos recolhendo por algumas horas com nossas respectivas famílias”. E aqui, Mr. Smith dispensou a ajuda do Pagan e ele mesmo se despediu no melhor “português” que conseguiu: “Boa noitchi a todos! Hasta amanhãna!”.


E assim se fez... Aos poucos, podia se ver fogueiras sendo acesas diante de grupos de barracas, nos lugares indicados por Mr. Smith, ao longo de toda a Vila. A noite caía linda e era indisfarçavel a excitação e contentamento daquela gente amiga novamente reunida sob a liderança daquele senhor estrangeiro surgido do nada. Alguns tinham seguido sua recomendação à risca e procurado as margens do rio na estradinha da Escola até a Casa de Pólvora. Outros, subiram com caniços e latas de minhocas até a Cachoeira. Outros, ainda, aventuraram-se em direção ao Largão ou da Pontinha que levava à estradinha da prefeitura. A noite estava quente e a energia por todo o Vale era algo indescritível com aqueles velhos amigos se reencontrando, se lembrando dos locais onde haviam as melhores minhocas - daquelas grandes e espertas que ficavam se mexendo, mesmo no anzol e atraindo tilápias e carás - abrindo caminho no escuro por entre milhares de luzinhas verdes dos pirilampos. Ouvia-se muitas risadas gostosas, ao longe, vindas de  todos os lados do Vale. Era uma noite de reencontros, de encantamento, de se sentir no paraíso... Algumas mulheres, preocupadas com seus filhos ainda pequenos, preferiram ficar perto de suas respectivas barracas, próximas às fogueiras. Elas reuniam o que tinham em suas barracas e resolviam preparar uma refeição comunitária, bem ao "velho estilo Light"! Algumas se lembravam de velhas receitas ensinadas por suas mães e avós... Era tudo muito emocionante... Uma sensação de renascer no rosto de cada pessoa... Não raro, lágrimas de felicidade escorriam-lhes pelos rostos..




...Como era de se esperar, ninguém conseguiu "pregar o olho" aquela noite. E como se tivesse sido combinado em todos os acampamentos, a idéia das refeições comunitárias se espalhou como aquele fogo que, de vez em quando, no Verão, quando o capim gordura estava alto e seco, incandescia toda a montanha e iluminava o Vale embaixo. Então, mesmo depois de terem comido até se fartar e alguns já terem colocado os filhos menores para dormir em suas barracas, cada adulto... Homem, mulher... Achou um bom lugar ao redor da fogueira mais próxima e ali ficou olhando o céu, sentindo a brisa da noite roçando em seus rostos... Rindo... Ou chorando... Muitas vezes de alegria, outras, de saudade... De momentos vividos naquele lugar sagrado e que ficara para sempre em suas lembranças e que agora pareciam reviver! De vez em quando um homem chegava de sua pescaria noturna. Uns voltavam sozinhos... Outros, em grupos... Mas, todos - trazendo uma fieira de peixes nas mãos ou não - tinham um sorriso no canto da boca e a mesma expressão de maravilhamento quando seus rostos reluziam perto das fogueiras! Eram recebidos por suas respectivas esposas, irmãs, mães, filhas, com abraços e beijos e logo ganhavam suas generosas porções de comida! Ao longe, no topo da colina onde aquele agrupamento de belas casas da chefia ficava, observando por entre uma das janelas do piso superior as colunas de fumaça subirem sobre as copas das árvores, brotando de todas as direções da Vila, Mr. Smith, também não podia evitar um sorriso silencioso e de profundo contentamento... "What a night!" (Que noite!)..."What a night!", repetia baixinho...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mais de 19 mil acessos... MUITO OBRIGADA


Quero agradecer a todos que contribuíram para que meu blog chegasse a mais de 19 mil acessos. São pessoas de todo mundo que me prestigiam e me incentivam a escrever cada vez mais.
A partir de agora coloquei a opção de SEGUIDORES e convido você a fazer parte.
Abraços a todos
Natalina de Castro

Minissérie Nunca Desista dos seus sonhos - Capítulos 32, 33, 34, 35 e 36

Mr. Smith faz uma pausa e comenta em inglês com o Pagan. "Vamos descer e descansar um pouco perto daquele poço, junto ao cercado". Havia umas vacas pastando por ali e um cavalo selado, provavelmente, a montaria com que Mr. Smith chegara ao Vale Encantado. O Sol quase se punha atrás de um casarão à direita dos dois homens, tingindo o céu em suaves e diferentes matizes . Mr. Smith se sentou na mureta do poço e comentou com alguma intimidade: "Alberto, pensando bem, um megafone viria bem à calhar, heim?! Você não precisaria ficar berrando, forçando tanto a voz, lá em cima da plataforma.  Será que Mr. Zé de Castro não improvisaria um pra gente? Não é ele quem fabrica facas, canivetes com molas e cabos de chifre e as rodas da carroça que recolhe o lixo da Vila? Ouvi dizer que ele é muito criativo". E sem dar chance do Alberto responder, o gringo emendou outra frase: "Alberto, vou te contar um segredo. Esta aprendi em meus anos de universidade lá nos States. Sabia que para uma roda de madeira ficar bem ajustada, na medida certa, só pondo o aro de ferro quando ele ainda estiver quente e, em seguida, jogar água fria". Alberto Pagan, que à certa distância e com aquelas cores da tarde caindo, por uma curiosa ilusão de ótica, parecia ter cabelos. Ele ouvia tudo em silêncio, com um leve sorriso no canto da boca. Mr. Smith não parava: "E por falar em ferreiro, Pagan, saiba que John Wilkinson é considerado o 'Mestre dos Ferreiros'. Foi ele que em 1787 ele construiu o primeiro barco de ferro. Essa profissão é antiguíssima e depois dos barcos, logo vieram as pontes sabia?"

Alberto, enquanto o megafone não fica pronto, vamos dar uma olhada no Trole.  Seu estado atual é deplorável... A pintura está toda desbotada, os bancos rachados...Foram vistos jogados junto ao muro da Pensão do Balanço!   O Trole precisa de uma restauração completa e urgente!  Reúna os funcionários que forem necessários para essa tarefa: carpinteiros, marceneiros, ferreiros, enfim...Todos e tantos quanto forem necessários! Hummm, vejo aqui em minhas anotações que aquele garoto, o “Odécio da D. Lica”, tem uma empresa de pintura que pinta até  avião...Então, ele que fique com os retoques finais e deixe o trole lindo e em perfeitas condições de uso. Por favor, Alberto, me ajude a passar essas ordens para frente e a tomar essas providências!”


Terminado o breve período de descanso junto ao poço, Mr. Smith e Alberto Pagan, retornaram à plataforma com o objetivo de continuar orientando à multidão. Mr. Smith olhou para suas anotações e pareceu estar um tanto em dúvida sobre como prosseguir. "Pagan, eu estou pesando em começar a chamar os portugueses que chegaram até aqui!". Tendo ouvido isso Pagan fez o seguinte comentário: "Boa idéia, Mr. Smith. De fato, alguns portugueses foram trabalharam em nossa Usina e moraram aqui com suas famílias  sim. Lembro-me de que a família Castro  tinha um casal de portugueses como vizinhos: Sr. Bernardo e Sra. Olinda, não me lembro agora do sobrenome deles. Ele era um tanto carrancudo, mas, um bom sujeito. E D. Olinda uma esposa zelosa, uma senhora muito boa e religiosa. Ela ensinava catecismo em sua casa, para a garotada da Vila, e até distribuía medalhinhas de santos. Só que tinha um gênio muito forte!". "Forte?!", indagou o estrangeiro. "Como assim, forte?". Mr. Smith teve dificuldade em entender e o Alberto Pagan foi obrigado a entrar em mais detalhes. "Bem, Mr. Smith, para o senhor entender melhor a que me refiro, uma ocasião, os Castros tinham acabado de ganhar uma filha, à qual deram o nome de Inês e sua irmã mais velha, Nairzinha, na verdade uma criança com pouco mais de sete anos, quis ajudar a mãe lavando as roupas da recém-nascida.  Como o sr. já deve ter visto nas plantas da engenharia alguns tanques e banheiros aqui na Vila eram coletivos nas primeiras décadas. E quando a pequena Nair foi estender as roupas de sua irmãzinha 'avançou' um pouquinho para o lado da D. Olinda, que não gostou nem um pouco daquilo e deu uma tremenda bronca na menina".  Mr. Smith ouvia atentamente e a esta altura arriscou um: "Ah é?!". "Sim, Mr. Smith...", respondeu o Pagan "Dona Maria, a mãe, ouvindo o choro da filha veio ver o que estava acontecendo e quando viu sua vizinha portuguesa dando um corretivo em sua pequena não pensou duas vezes: pegou um cabo de vassoura e enfrentou a fera que logo bateu em retirada". A esta altura Mr. Smith e Pagan, riam gostosamente com o fato lembrado pelo Pagan que ainda comentou: "Sei disso porque num lugar pequeno, como nossa Vila, essas coisas espalham como fogo em capim seco e logo estava todo mundo sabendo do susto que a D. Olinda levara!" 

 Ah, Dr. Smith, ainda sobre os portugueses, esqueci de contar que Toninho de Castro, outro filho do Zé Ferreiro, certa vez ganhou uma pomba e a mesma subiu no telhado do Sr. Bernardo e não queria mais sair de lá.  Bem, o menino foi atrás dela pisando nas telhas do vizinho que foram se quebrando e caindo na cabeça do pobre homem. No final, como diz o ditado: 'Dentre mortos e feridos salvaram-se todos!' Apesar dessas pequenas confusões, até onde sei, Mr. Smith, mesmo depois de terem se mudado, D. Olinda sempre visitava os 'encrenqueiros', quer dizer, 'os Castros' e essa amizade foi para a vida inteira.
 
"Bem Alberto, vamos continuar?". "Sim, Mr. Smith!". Mr. Smith posicionou-se outra vez um pouco mais perto do parapeito da plataforma para dar continuidade àquele incrível discurso que comunicava a todos a realização de uma restauração de locais e uma reconstrução de vidas, algo que já parecia impossível, mesmo aos mais crédulos. Era um sonho há muito acalentado por todos tornando-se realidade. E Alberto Pagan empertigou-se  ao lado daquele homem estranho e igualmente fascinante. E suas palavras vieram: "A Cachoeira está linda!  Com esse sol escaldante é impossível ficar sem dar um mergulho, ainda mais que hoje foram instalados novos trampolins.  Pelo que já me disseram, a fila está enorme para ver quem dá o salto mais bonito.  O primeiro da fila é o 'Miro', filho do lendário Zé Caetano (aquele senhor que dava uns cochilos no banquinho da Venda, pai da Maria, aquela menina fofinha com cabelos longos e marido da Dona Dita). Pensam que não sei dessas coisas?", brincou Mr. Smith. E continuou: "Nossa, na fila do trampolim tem muita gente!  Vou citar alguns nomes: Tidão, Rato, Renato, Baetaca, Wandão, Pirata, João Abimael, Abimares, Torda, Jucão, Canário, Ismael, Ledo, Zé do Paco, Davi, Zé Dudu, Décio e Paulinho Piruá, seu irmão adotivo. Mr. Smith não se contêm e comenta baixinho com seu tradutor. "Weird nicknames they use to have here, right Pagan?"(Mas, que apelidos esquisitos eles costuma ter por aqui, né Pagan?". E a multidão só pode ver os sorrisos nos lábios de ambos, mas, sem saber de que se tratava... Riso !

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Minissérie Nunca Desista dos seus sonhos - Capítulos 27, 28, 29, 30 e 31


De fato, alguém consegue localizar o Sr. Alberto Pagan em meio à multidão, em algum canto do Vale Encantado. Ele é consultado e visto se dirigindo a passos largos à plataforma aonde estava Mr. Smith, na companhia daquele outro senhor desconhecido que fora atrás dele que à distância pareceu ser o Sr. Lázaro Ramos, conhecido de todos como "Lelé". Este homem, apesar de seu jeito esquisito e cheio de tiques e maneirismos talvez não desse conta da enorme ajuda que estava prestando a todos com sua iniciativa...Àquele mover naquele dia tão especial! Ao pé da plataforma Seu Alberto deixa Lelé para trás e sobe os degraus para perto de Mr. Smith que, a esta altura, tomava água fresca da bica numa caneca de ágate verde que a Ana do "Bico Duro" lhe trouxera. Algumas palavras entre ambos e Mr. Smith é visto sorrindo para Alberto Pagan e acenando com a cabeça como que dizendo que "sim". Então, ambos se aproximam do beiral da plataforma e se preparam para voltar a se dirigir à multidão, que observa a tudo muito atenta...



Mr. Smith, desta vez, fala em inglês. Diz uma frase curta, seguida de uma pausa e um olhar para o Pagan que reproduziu fielmente o que o estrangeiro dissera em sua língua natal. A mensagem era a seguinte: "Senhor Benedito Maria, o senhor pode voltar a tomar posse de sua casinha, em cima do barranco, e não precisa mais sair da Vila todas as tardes, com seu instrumento, para louvar a Deus. De agora em diante o senhor poderá fazê-lo daqui mesmo, assim como todos os demais evangelistas. Quanto aos padres Luiz e Aldo Vannucchi, poderão rezar suas missas todas segundas-feiras, como antigamente. Os cultos evangélicos ficarão a cargo dos pastores Tiago e Maurício. E aproveito para informar que iremos construir um templo ecumênico em frente à casa da Landa..."


E os discursos e orientações a todos continuavam vindo, primeiro, da boca de Mr. Smith e, depois, da do Alberto Pagan. Um garoto sobe a escada depressa - à distância parecia ser o "Ilha" (William) do Gonçalino - entrega um papel na mão do S. Alberto e desce as escadas na mesma velocidade com que subira. Alguém havia enviado algum recado à dupla sobre o palanque. S. Alberto lê o bilhete em silêncio, cochicha algo no ouvido de Mr. Smith que sorri e aponta com uma das mãos para a frente como que dizendo: "Vá Alberto, leia isso para eles!". E ele diz: "Meus amigos, falando na Landa, este recado que acabamos de receber diz que os preparativos para os festejos vão de vento em popa. As encomendas são tantas que ela até pediu ajuda das vizinhas 'Nair do Dito' que está fazendo as barras, à mão, e da 'Nair do Saide' que é quem está chuleando as roupas. Para vocês terem idéia da quantidade do trabalho, aqui diz que só a Dira encomendou três trajes à Landa: um para o culto da manhã, outro para a reinauguração do campo, à tarde, e, o terceiro, para o grande baile à noite!". Sempre mulherengo e divertido S. Alberto não perde a chance de um comentário do tipo "Hummmm... Tomara que esse vestido de baile seja um longo bem justo que vai deixar seu corpo ainda mais bonito!". Alguns assovios tipo "fiu, fiu" foram ouvidos ao fundo e seu Alberto com um sorrisinho maroto por baixo de seu bigode sempre bem aparado continuou. "A oficina de costura deve continuar virando noites. Mas, a minha vizinha, D. Elvira, com certeza vai manter as meninas bem acordadas com seus deliciosos cafesinhos. Neste ponto uma lufada de vento fez o chapeu de palha do S. Alberto Pagan sair voando de sua cabeça e depois ir rodopiando pelo tablado, expondo sua vasta careca. Seu Alberto perde a compostura sai rodopíando atrás do seu chapéu no melhor estilo "cercando frango"! Ouve-se uma gargalhada geral, inclusive de Mr. Smith que já estava vermelho de sol e agora fica roxo de tanto rir! Aproveitando-se dessa pausa involuntária as irmãs Pagan (Zita e Daisy), Dora Corrêa e Didi gritam para o palco que elas não irão sobrecarregar a Landa pois decidiram usar seus próprios vestidos de formatura. Com certeza todas as outras moças da Vila também estarão muito elegantes...



A reforma da Sede está sendo concluída e ela está ficando linda!", diz Mr. Smith, sempre traduzido pelo calvo, Pagan, que desistiu de vez de tentar manter seu chapéu de palha fincado na cabeça. Ao final deste anúncio um "Oh!", de surpresa e alegria ecoa na multidão que, em seguida, começa a aplaudir entusiasticamente! Mr. Smith e seu fiel escudeiro se entreolham e sorriem. Eles também começam a aplaudir a multidão. Depois de uns poucos minutos, quando as palmas cessam, neste que fora um dos momentos mais emocionantes da fala de Mr. Smith, a dupla anuncia que o "Baile da Reinauguração" está sob a responsabilidade do S. Orlando Camargo que já está, com uma belíssima orquestra contratada para abrilhantar o tão esperado baile. Mais palmas e até alguns assovios brotam novamente do público - afinal, a Sede, sempre foi para todos os presentes sinônimo de "ponto de encontro" e "confraternização" naquele lugar tão especial! 


As boas notícias não paravam de ser anunciadas: "Temos o prazer de sugerir
aos pais que levem seus filhos até a nossa linda Cachoeira, que foi limpa e está com novas plantas aquáticas em seu entorno. Os escadões já estão prontos e o acesso ao Cachoeirão todinho restaurado para quem quiser ir até lá nadar, pescar ou brincar sob a queda d´àgua. Como, a esta hora, todos já devem estar com fome saibam que logo mais será servido um lanche com sucos naturais à todos vocês.  Dona Ana, Inês Rocha, Inês de Castro, Flora Mara e Marina Ataíde estão preparando a degustação. Fiquem à vontade nos quiosques ou às sombras da velha ingazeira. Vou mandar servir um lanche com muitas frutas como jambos, bananas, coquinho, mangas e goiabas. O cardápio dos pratos principais será à base de peixes fritos da região: tilápias, traíras, bagres, lambaris, saicangas. Carne assada de capivara, tatus e rãs também serão servidas. As bebidas serão: caldo de cana e limonada feita com limões dos quintais das casas de vocês, açúcar cristal e água da bica geladinha. Para finalizar nossas sobremesas serão: doces de abóbora, batata, cocada e a famosa paçoquinha, fornecidos pela Venda. Puxa, mas isto aqui está parecendo o Paraíso!”


....Continua


domingo, 6 de novembro de 2011

Minissérie Nunca desista dos seus sonhos - Capítulos 21, 22, 23, 24, 25 e 26


“Para os serviços gerais, o Sr. Abílio Domingues limpará ao redor da Cachoeira e as ruas. Vou mandar mais homens para ajudá-lo nisso. O Sr. Raul Rosa fará uma escada nova para o Cachoeirão e a reforma das balanças do Parquinho também”.


Neste momento, o misterioso estrangeiro, ao qual chamaremos “Mister Smith”, começou a chamar os trabalhadores da Casa de Força - que, do alto da imponência de suas instalações, assistiu a tudo “de camarote” nos últimos cem anos - vendo por ali passar: cariocas, paulistas, pernambucanos, brasileiros de quase todos os Estados e estrangeiros do mundo todo, muitos dos quais, moraram na Vila e trouxeram consigo suas experiências de vida.


A chamada foi por Setores. Do Quadro de Operações ouvia-se Mr. Smith convocando, com seu sotaque gringo: “Moacyr de Castro, Orlando Camargo, Oracy Corrêa, Delmo Perazzio, Donaldes Alquezar, Benedito Ferreira, Benedito Santos, Osvaldo Pereira, Francisco Santos – que vocês chamam de 'Pacão' - Salvador Mariano, José dos Santos - que vocês chamam 'Lorota' - Puxa, mas cada apelidou engraçadou vozeis aranjam, por aqui, hã?. E ainda há outros que poderão ser convocados numa próxima chamada, ok?”.



“Para a Seção Elétrica convoco imediatamente os profissionais: José Saydel, Xisto Pedroso, Argemiro Xavier, Bento Caldeira, Agostinho, Jovane, ‘Espanha’, Daniel, Wilson, Jaime dos Santos. Outros, por favor, ficam de stand by (prontidão), está bem?". E assim prosseguia Mr. Smith convocando profissionais e mais profissionais da Usina de Itupararanga!
 
E Mr. Smith, não parava de convocar um exército de Filhos da Light para os seus planos secretos sobre o Vale Encantado. Do alto daquele estrado, onde se encontrava, sua voz determinava: "Na estatística e outros controles, apresentem-se imediatamente: Bento Carlos Arruda, Francisco Pareja Galves. O demais que trabalharam nesse departamento também fiquem de prontidão. Serão chamados em próxima oportunidade”.


Talvez por falta de costume com o Sol dos trópicos, neste instante, Mr. Smith começa a dar sinais de cansaço. O suor escorre-lhe pela fronte e ele desamarra o lenço que lhe servia de gravata num curioso laço e começa a enxugar a cabeça. Uma das meninas do Zé Ferreiro, a Natalina, sempre muito sensível e atenta, acompanha tudo junto a uma multidão - todos, muito próximos do palanque e sugere em voz alta: "Gente, Mr. Smith já está com a garganta seca. Será que alguém, pode, por favor, servir lhe uma água fresquinha da bica? E por que não vai alguém chamar o Sr. Alberto Pagan, que fala tão bem inglês? Com certeza ele pode prestar alguma ajuda a esse senhor estrangeiro."

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Minissérie Nunca Desista dos seus sonhos - Capítulos 17- 18 - 19 e 20

“Sr Antonio de Castro, terá a sua venda nos mesmos moldes de antes, com direito a casa na vila, escola para as crianças, assim como tiveram, antes de você, os Srs. Góes, Trevo e Antonio de Leon. Chame sua esposa, Berenice, para ajudá-lo. Sei que deixaram um ótimo emprego para trás, mas, uma mudança é sempre boa e não existe melhor lugar para criar filhos do que este aqui - é o Paraíso. O Joaquim “Bengala” e o Wandão podem ajudar na entrega dos pães. A Ana e a Nata ficam de balconistas. Pronto! A equipe está montada. E nada de vender cachaça! O resto, está liberado...”.

"Sr. José Soares e a Dona Tonica, vão para sua casa e continuem cuidando do pomar que vocês formaram com tanto carinho. E, quando chegar o Natal, montem aquela árvore de pinheiro natural, com muitas luzes e botem os meninos, Renato e Mário, para recolher as folhas secas que caem. Flávio, dirija- se à garagem e veja como ficaram os veículos que estão abandonados há tanto tempo. Logo eu preciso do ônibus azul e branco o “Porcão”. Se possível, chame os Srs. Bentico, Pedrão, Gonçalino, João Bueno, Leonel e Zé Coquinho, para colocarem tudo em ordem. As aulas começarão em breve e, assim que chegar a lista com os nomes, será divulgado."

“No portão de entrada, o Sr. João da Silva fixará sua residência. Os demais, Oscar Godoy, Brasílio Prudente e Alcides (Baetaca) se revezarão em três turnos. Em tempo, Sr. Alcides, por favor, continue a cuidar do campo de malhas como sempre fez com tanta dedicação.”
“Sr. Benedito de Campos ‘Dito Quatrocentos’, as escolas ficarão por sua conta! Pode zelar por elas. Seu filho, ‘Zé Dudu’, quero que seja o treinador do time que vai jogar na estréia do campo. Esse menino entende tudo de futebol e, falando nisso, a reforma do campo está bem adiantada, as máquinas já retiraram todos os tocos, pedras e a areia que desceu naquele vendaval que passou por aqui. O próximo passo, agora, é colocar a grama e trocar o alambrado, pois, com o tempo a ferrugem corroeu. Quem não sentiu o tempo passar são os eucaliptos, protegidos pela mãe natureza estão firmes e fortes”.

domingo, 30 de outubro de 2011

Minissérie Nunca Desista dos seus sonhos - capítulos 13, 14, 15 e 16


Uma breve pausa, uma rápida consulta em seus apontamentos, e nova procura na multidão. Aqui, aquele chefe estrangeiro precisou proteger os olhos do sol com uma das mãos, até que finalmente encontrou o que procurava: “Ah, aí está o senhor, Sr. Crispim Corrêa! O senhor será responsável pelas pinturas. Sugiro que as casas do Balanço sejam brancas com janelas e portas azuis e as do Acampamento, brancas com janelas e portas verdes. O senhor, como mestre nessa arte, saberá decidir o que fica melhor. Aplique quantas demãos julgar necessário para que as casas fiquem perfeitas. Não economize no material. Temos de sobra no almoxarifado, está bem? Ah, só mais uma coisinha, aquelas gaiolas que o senhor faz com tanto talento, apesar de muito bonitas, não serão mais necessárias! Desculpe, mas a partir de hoje, neste lugar maravilhoso fica terminantemente proibida a captura e a manutenção de aves presas em cativeiro! Todas as aves - sabiás, bentevis, pintassilgos, coleirinhas, tico-ticos, chupins seja qual for a espécie - serão plenamente livres para voarem sobre o nosso céu e nos alegrarem com seus cantos quando quiserem. Quanto aos galos-índios, estes serão criados somente para enfeitar os terreiros, as rinhas estão terminantemente proibidas!”
Elevando o olhar à multidão e falando um pouco mais alto: “Capivaras, cervos, lontras, ariranhas, lagartos, tatus, coelhos, todos os animais silvestres tornarão a aparecer em quantidade, pois deixaremos de invadir o seu habitat! De agora em diante vamos tratá-los com muito carinho para que se acostumem a viver em nosso meio. Quanto às cobras, vamos manter o procedimento antigo: capturá-las e enviá-las ao Instituto Butantã, em troca de soros antiofídicos. (Esta última palavra soou quase incompreensível, devido ao forte sotaque gringo e, na verdade, é até mesmo surpreendente que tenha conseguido pronunciá-la!).


Mais alguns segundos de pausa para uma conferência na pequena caderneta numa das mãos pálidas. As pessoas continuavam ouvindo em um silêncio solene. Então ele continuou: “Para a educação convoco os professores: Enéas, Didi, Dayse e Sílvio. Os demais, serão chamados conforme a necessidade de novas turmas, na substituição por aposentadoria, ou algum outro caso. A boa nova e que teremos aula de jardinagem e será ministrada pelo Sr. Israel. Sim, ele mesmo, pai do Toninho, Amelinha, Dóris, Clóvis e Celso.


“Jaime e Nadyr, se preparem para o grande baile que vai acontecer na reinauguração da Sede nova. Falando nela, hoje começa a sua reforma. Faremos um piso superior onde funcionarão as salas de informática, idiomas (inglês, alemão, espanhol, japonês e mandarim). O Sr. Benedito Cascavel ficará responsável pela obra da reforma interna - e vou precisar de voluntários - já que a tela do cinema precisa ser trocada, os troféus ganhos pelos times do S.P.E.F.C estão precisando de uma boa limpeza. Quanto às atas pode entregar para o Billy, que estará em boas mãos. Já sei até onde vai colocar”.

domingo, 25 de setembro de 2011

Minissérie - Nunca desista dos seus sonhos - capítulos 9,10,11 e 12



...Começou pelo Sr. Cipriano. Indicou sua casa, à beira da represa e ordenou que cuidasse dela. Depois, fez o mesmo com os seus vizinhos, Srs. Valter e Morelli. Em seguida, dirigiu-se ao Sr. Belmiro no alto do morro e a seus vizinhos, cujos nomes não me lembro.

No momento seguinte, aquele senhor estrangeiro avistou alguém em meio a multidão e se dirigiu a ele: “Sr. Genésio, preciso do senhor na Casa de Válvulas! Tenho que por o troller para funcionar com certa urgência. Vamos precisar muito dele! Posso contar com o senhor, não? Que bom! Não se esqueça de se proteger bem, pois, na trilha que sobe para o morro costumam aparecer cobras. Vista também um bom agasalho; lá em cima, faz muito frio. E, um rádio de pilhas, vai ajudar o tempo passar mais rápido quando estiver lá, sozinho, no meio do nada. Não vai ser fácil, mas, conheço sua bravura e asseguro-lhe que o senhor também irá revezar com outros maquinistas”. Próximo ao inclinado Sr João Monteiro continuava a serrar lenha para abastecer as casas do Balanço.



Voltando-se para um lado e procurando entre aquele oceano de cabeças, o homem alto, de repente, apontou para um senhor moreno, esguio, de rosto magro e sereno: “Para comandar o troller, preciso que o senhor assuma, Sr. Antonio Carvalho! Fique tranqüilo que chamarei outros troleiros em seguida. O senhor também não estará sozinho. Não o estou vendo agora, daqui, mas, por favor, diga ao Sr. Rodrigo, seu irmão, que ele fica com a reforma da Pensão do Balanço, pois já conheço sua reputação de excelente mestre de obras. Avise-o que poderá se mudar com a família imediatamente para a casa ao lado.

À medida que o estrangeiro alto ia dando suas instruções, as pessoas imediatamente deixavam aquele enorme grupo de pessoas e o obedeciam. “Sr. José de Castro Sobrinho, ‘Zé Ferreiro’, não? Vejo aqui, nestes meus apontamentos, que é assim que o chamam” (e aqui se permitiu um leve sorriso para emendar logo em seguida): “Pois, Sr. “Zé Ferreiro”, tome posse da sua Ferraria! Já mandei para lá o Sr. Luis ‘Carioca’, para trabalharem juntos. Quanto à sua casa, o senhor terá que esperar um pouco mais, pois, ao longo do tempo, ela, infelizmente, sucumbiu, por negligência de alguns. Mas logo daremos um jeito nisso... Para a reforma pode usar os tijolos que estão ali! Vieram da Iugoslávia. Talvez o senhor nem saiba, mas seu neto, Saulo, levou um desses, de lembrança, no dia que esteve aqui. Para que o trabalho renda, sugiro que peça ajuda a seus filhos, que pelo que disseram são dez!”.

.....Continua


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Minissérie NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS - Capítulos 5, 6, 7 e 8

Capítulo 5
Com o passar do tempo os moradores do vale foram miscigenando e uma nova raça foi surgindo com a mistura dos descendentes de índios, negros e estrangeiros que tiveram a sorte de viver naquele lugar abençoado por Deus. Com muito orgulho posso dizer que sou uma dessas pessoas que ali nasceram, uma autêntica filha da Light!



Capítulo 6
A vila de que falamos localiza-se na Usina de Itupararanga, também conhecida como “Light”, o complexo produtor de energia encravado nas montanhas da Serra de São Francisco. Na verdade estou pasma de ver como são escassas as informações - e grande o desconhecimento aqui nas redondezas - a respeito de projeto tão importante que atraiu pessoas do mundo inteiro para trabalhar em sua construção, que promoveu enorme desenvolvimento para Votorantim e para todo o Estado, quando a cidade ainda não passava de um mero distrito de Sorocaba.



Capítulo 7
Quem não conhece bem os filhos da Light, costuma dizer que somos “um bando de sonhadores!”. Bem, em primeiro lugar, sonhar não é proibido e, depois, é muito bom constar que mesmo tendo nos tornado: jornalistas, médicos, delegados, professores, advogados, dentistas, mecânicos, pastores, enfim, profissionais das mais diversas áreas, continuamos todos unidos pelo mesmo sonho: tornar o mundo melhor salvando o nosso santuário ecológico da destruição, não somente para saciar nossa nostalgia, mas, pelo resgate cultural e a preservação da memória e a história de nosso querido país. Sonhar um sonho sozinho e apenas um sonho, mas, juntos, uma realidade.

Capítulo 8
Ontem a noite estava lendo um pouco e passei para o sono. Quando acordei me vi num lugar que não me era estranho, uma espécie de dejavu. Nesse local havia uma multidão falando vários idiomas ao mesmo tempo e eu fiquei um pouco aflita porque não conseguia entender o que elas diziam. Parecia a Torre de Babel. Em cima de um palanque improvisado um senhor alto, de cabelos alourados, olhos claros e sotaque arrastado, que parecia ser inglês, começou a chamar as pessoas pelos nomes e funções que antigamente exerceram.



...Aguardem os próximos capítulos

domingo, 11 de setembro de 2011

Minha minissérie - NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS - Capítulos 1-2-3 e 4

Em comemoração aos mais de 17 mil acessos, que a partir de hoje, estarei postando a minissérie que escrevi especialmente para o blog Filhos da Light.
São personagens reais dentro de uma ficção sobre a Vila de Itupararanga,onde nasci e permaneci até meus 22 anos.
Começo com os quatro primeiros capítulos e espero que gostem.
Abraços a todos
Natalina

Capítulo 1

Em uma vila escondida em meio a um vale rodeado de árvores e rochas, formadas há milhões de anos e parecido com o Grand Canyon, as pessoas viviam felizes e suas crianças cresciam livremente em contato com a natureza. Fosse nos jardins ou quintais de suas casas, onde era natural ouvirem o canto dos pássaros, fosse usufruindo das exuberantes cachoeiras e rios que lhes proporcionavam horas deliciosas de lazer ao nadarem em suas águas cristalinas ou pescando nelas acarás, lambaris e bagres. Ou, ainda, brincando aqui e ali, quem sabe, simplesmente caminhando pelas inúmeras trilhas onde, às vezes, uma cobrinha verde (caninana) ousava rastejar por entre seus pés - a integração era tamanha, entre homem e a natureza, naquele lugar, que pessoas e bichos conviviam em perfeita harmonia e, meio que sem fazerem conta um do outro, cada qual seguia seu destino...

 Capítulo 2

Muitas pessoas passam a vida acumulando bens para desfrutarem de uma vida com qualidade na velhice. Com as pessoas daquele vale, porém, entre as quais tenho a felicidade de me incluir, era diferente, pois, já começávamos pelo lado bom da vida. Havia fartura e abundância de tudo ali. Ninguém vivia com dificuldade, as centenas de pessoas que lá conviviam eram, todas, solidárias e amigas. Elas se conheciam há muito tempo e não havia preconceito e nem discriminação; por isto, também, confiavam umas nas outras para todas as horas e circunstâncias. Quem sabe isso explique porque nós, os que um dia ali moramos, nunca conseguimos nos adaptar vivendo longe da proteção das montanhas daquele vale encantado.

Capítulo 3

Mas, não se tratava só da natureza, as construções eram igualmente fascinantes! Afinal, que tecnologia foi aquela (surpreendente até para os dias de hoje) capaz de erigir tal obra faraônica? De onde vieram os empreendedores estrangeiros, com seus recursos e também os construtores fantásticos que cortaram com tamanha perfeição aquelas pedras imensas, de quase meia tonelada cada, e as colocaram com precisão, umas sobre as outras, em tão pouco tempo? Que conhecimento foi aquele? 
 Capítulo 4
As casas do vilarejo agrupavam-se em dois núcleos separados por uma elevação na topografia local. Ao núcleo do nível inferior, deu-se o nome “Acampamento” e ao do nível superior, “Balanço”. As escadas do Balanço, com seus degraus enormes, cortados com a mesma perícia, continuam intactas, mesmo com a falta de manutenção, pelo homem e as agressões da natureza. E que dizer daquela tubulação gigante descendo montanha abaixo, por centenas de metros, até a Usina? Quem pode me responder como chegaram lá? “Seriam os laitenses astronautas?” Uma coisa que eles certamente eram: auto-suficientes. Criavam animais que lhes forneciam carne e leite para o próprio consumo, pescavam (havia abundância de peixes por todas as represas, rios e lagos do vale), tinham árvores frutíferas e hortas em seus quintais. Costuravam suas próprias roupas, buscavam lenha no mato para abastecer seus fogões quase primitivos, mas que, além do alimento, lhes proporcionavam o conforto de água quente circulando por um sistema de encanamentos que iam dos fogões aos chuveiros e a todas as torneiras de suas casas.
....Em breve mais capítulos!

Conheça nosso movimento dos Filhos da Light, acessando
http://filhosdalight.blogspot.com