segunda-feira, 11 de setembro de 2017

TENHO MEDO


TENHO MEDO

Na vila onde nasci antes de ser uma Usina Hidrelétrica era um sítio com mata maravilhosa, lindas cachoeiras, montanhas rochosas parecendo um grande Canyon.  Uma enorme variedade de pássaros e animais que, aos poucos, foram se acostumando conosco, seres humanos, que invadimos seu habitat.  Há cem anos esta vila pertencia à cidade de Sorocaba e hoje, depois do desmembramento, é um bairro de Votorantim.
O enorme eucalipto que ficava logo acima do quintal de casa, era um gigante imponente com mais de30 metros de altura e seu tronco precisaria de umas três pessoas para abraçá-lo.  Já fazia parte de nossas vidas, nossa horta e o pomar ficavam próximos a ele, portanto, nosso contato era diário.  E sem contar que, além de enfeitar o local, o perfume que exalava de suas flores purificavam o ar.
Lá na curva da estrada que subia até o Balanço, onde ficava nossa casa, ficava uma paineira muito antiga, lugar predileto dos sabiás e que, ao entardecer, faziam dos seus galhos um palco de apresentação dos shows com toda aquela cantoria para todos que quisessem ouvir.
Algumas pessoas diziam que ela era mal assombrada e que as noites, ao passar por ela, sentiam um arrepio esquisito pelo corpo.  Eu só posso afirmar que minha mãe usava os frutos dela para fazer travesseiro que, além de macios e cheirosos, nos ajudava a dormir feito uns anjinhos.
Um pouco mais adiante ficava a ingazeira e, embaixo dela, uma pedra bem grande onde a parada era obrigatória, primeiro, para tomar fôlego para continuar a subida e, depois, para degustar os ingás bem docinhos .
Vendo umas fotos recentes observei que, ao longo dos anos, houve uma grande mudança e parece que a natureza está querendo tudo de volta o que lhe foi tomado.  Confesso que tenho medo de quando voltar à terra em que nasci não consiga localizar estas queridas que ajudaram a escrever um pouco da nossa  história.  E como me sinto uma exilada gostaria de compartilhar a poesia predileta da minha querida mamãe sobre o exílio.
Canção do Exílio
 (Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

DOCES LEMBRANÇAS

DOCES LEMBRANÇAS


E ela estava lá e seus sons, mas parecia uma música. Acordar todas as manhãs com cheiro de café feito na hora pela minha mãe, a sinfonia dos pardais, pisar descalça na grama molhada pelo orvalho da noite e o vento forte roçando nossos rostos. Era assim que começava o meu dia, um pouco frio, pois não tínhamos agasalhos suficientes, mas mesmo assim éramos felizes.  Felizes também foram às pessoas que passaram nesses 100 anos que vamos completar de paraíso na Vila da Light. Quantos nasceram, cresceram, casaram, tiveram filhos e alguns morreram (faz parte da vida). As festas cívicas, aniversários, casamentos e batizados era onde todos se reuniam para confraternizar. Não se esquecendo do passeio de trole, bailinhos aos sábados com os discos do nosso querido Zé Dudu (que era muito avançado para nossa época), o nosso DJ Cocada que sempre repetia a música quando o cavaleiro fazia um sinal sutil para ele, isto significava que a companheira de dança estava boa e o cinema as quintas feiras nosso outro ponto de encontro. Respirar o ar puro do verde que nos rodeava, contemplar aquele céu azul e as noites com as estrelas parecendo luzes soltas no ar (numa dessas noites eu vi uma estrela cadente) era um encontro nosso com Deus. Agora quero falar do nosso mais precioso bem: As nossas lindas cachoeiras, quantas pessoas nestes 100 anos passaram por lá. Muitas para bater papo, outras para trocar juras de amor, pois lá era um local para os apaixonados. Nossa cachoeira com sua queda de 40 metros continuam dando espetáculo mesmo que não tenha ninguém para aplaudir. Suas águas cristalinas continuam jorrando ladeira abaixo purificando os olhos de quem a acompanha. Tenho certeza que nossos antepassados desfrutaram de toda essa beleza, porque elas estão lá há milhões de anos. Esta é uma singela homenagem de quem teve o privilégio de viver por 22 anos neste paraíso chamado Itupararanga.

CINE SÃO FRANCISCO

CINE SÃO FRANCISCO 


Este é o nome do primeiro cinema da nossa vila que surgiu em 1912 e foi destaque no Jornal Cruzeiro do Sul, conforme escrito abaixo:

          “Na semana próxima deverá ser inaugurado no pitoresco arrabalde do Itupararanga, um confortável Cinema de propriedade do capitalista Sr. Nicolau Scarpa, que segundo soubemos, terá todas as comodidades necessárias a um bom centro de diversões” (transcrito do Jornal Cruzeiro do Sul de 16 de julho de 1912).

Assistindo novamente o filme Cine Paradiso me lembrei do nosso cinema que funcionava as 5ª feiras. Começava com a placa lá na venda, era um pôster colado na mesma com a propaganda do filme que era trazida pelo Sr. Didi Borges (ele que passava o filme) e não sei por que quando lhe perguntavam o nome do filme, ele respondia: “Amarelão”.

Houve uma época que os sócios do S.P.E. tinham cadeiras numeradas e as dos “Castro” era na 1ª fila do lado direito, poltronas 1-2-3, bem na nossa frente ficava a turma do barulho nos bancos, hora aplaudiam o mocinho, hora vaiavam o bandido, confesso que tirei grandes cochilos lá.

Certa vez eu e a minha irmã Inês fizemos umas travessuras que mamãe não gostou e o castigo foi não deixar ir ao cinema, mas só que aquele dia era o último capítulo da mulher tigre, sinceramente preferia ter tomado uma surra. No dia seguinte tive que me contentar com os comentários dos amigos.

Bom também era o cineminha que o Edson do Sr. Bentinho Arruda exibia em sua casa, verdadeira engenhoca do professor Pardal.  Em uma caixa de sapato recortada como se fosse uma tela de TV em um rolo de papel colado com recortes de HQ da Disney, Tio Patinhas, Pato Donald e outros; atrás da caixa era colocada uma vela acesa. Lotava a sala da casa e quando terminava aplaudíamos em pé de tão legal que era.

Lembro até hoje dos clássicos que assistíamos. Muitos filmes eram os mesmos que passavam simultaneamente em São Paulo, sem saber estávamos moldando nossas personalidades porque víamos de tudo principalmente filmes sobre questões raciais (que era muito forte na época).

Não posso deixar de contar que a primeira vez que vi o meu amado Elvis Presley foi em preto e branco na nossa telinha com Love me tender, que hoje tenho em VHS e DVD na minha coleção.

Quem não assistiu Cinema Paradiso eu tenho só entrar em contato que mando de presente.

Ah! Não esquecendo que o nosso chiclete preferido era o Adams, aquele da caixinha amarela.

FESTA JUNINAS LAITENSES - MOMENTOS INESQUECÍVEIS

FESTA JUNINAS LAITENSES - MOMENTOS INESQUECÍVEIS 



Quando eu era pequena inventamos de fazer uma festa junina junto com a turma da rua. Encontramos vários tocos de madeira para a fogueira, minha mãe preparou o quentão e as pipocas, como não tínhamos grandes degustações colocávamos na fogueira milho verde e batata doce para assar, a gente mais queimava as mãos do que comia, pois estava virando um tição. 
A festa ficou só ficou legal quando meu pai chegou lá pelas nove horas da noite com seu Chevrolet preto e viu a bagunça. Pensamos que ele ia nos repreender, mais não. Chamou o Wandão e deu dinheiro para comprarmos uns fogos na casa do seu Gonçalino. Ai sim ficou legal, bomba, rojão, buscapé pra todo lado e pra variar eu tenho medo até hoje, mas festa sem rojão não tem graça. 
Dona Maria Monteiro era a maior festeira da Light, todo ano já era tradição ir à festa dela, lá a gente degustava canjica, doces de abóbora, batata, arroz doce, pipocas, quentão, vinho quente, pinhão e outras guloseimas. As preparações começavam um mês antes pois era muita coisa gostosa. 
Imaginem que tinha até convidados vips. Era comum ver chegar os engenheiros com as esposas e os filhos e mais algumas autoridades (que agora não sei dizer o nome) mas que era chique, isso era! 
Quando eu estava com meus vinte anos e trabalhava na venda chegou o José  Avelino com uma lista na mão pegando os nomes para dançar quadrilha. Como o Dan tinha chegado junto com ele, não pensei duas vezes e pedi para que ele fosse meu par. 
Nas semanas seguintes fizemos muitos ensaios e conversamos muito, pois ele era um amigo muito querido que sabia ouvir as pessoas com carinho, não me refiro a ele (in memorian), porque acredito que estrelas não morrem, só mudam de lugar, esta frase também serve para todos os amigos que se foram. Mas voltando a festa, foi montado um tablado no campo perto da trave, de tantas pessoas que aderiram ao evento não coube na sede nova. Meu vestido fui eu que fiz, mas de caipira não tinha nada, estava mais para portuguesa, pois o tecido era de algodão fundo branco com bolinhas verdes, cavado e eu usei uma blusa branca de manga comprida por baixo; duas tranças no cabelo amarradas com fita verde, chapéu enfeitado e uma bota cano baixo que eu tinha comprado no bazar da pechincha (couro legítimo). O Dan estava engraçado com chapéu todo desfiado nas pontas, roupas remendadas, paletó xadrez com uma palha no bolso e costeletas e bigodes feitos de rolha queimada. Demos grandes risadas juntos, que saudade de tudo! Se pudesse votar o tempo gostaria que fosse exatamente igual.

OS BAILES INESQUECÍVEIS

 OS BAILES INESQUECÍVEIS



É verdade, até concurso de beleza tivemos na Vila, não posso precisar a data porque eu era criança, mas com certeza alguém que viveu nesta época poderá enriquecer com mais detalhes, inclusive os nomes das concorrentes a Miss Beleza Laitense. 
O dia da festa de coroação foi um alvoroço, não se falava em outra coisa. A Tereza Pagan (a Zita) como era chamada, ganhou como rainha e sua irmã Dayse como princesa, foi o maior glamour, parecia até a entrega do Oscar, com direito as suas mãos serem imortalizadas na calçada da sede da light assim como as ruas de Hollywood. 
A Zita trajava um vestido de seda cor de pérola, um modelo clássico muito elegante e a Dayse um vestido azul de organdi suíço modelo tomara que caia longo todo esvoaçante, parecia um conto de fadas. 
Depois da coroação teve um grande baile com uma orquestra maravilhosa ao som de Billy Vaugh, Glenn Miller, Nat King Cole e outros. 
As orquestras eram trazidas de São Paulo pelo Sr Orlando Camargo que foi presidente do clube várias vezes, depois veio à era do rock´n´roll e as meninas Marina e Laurinha davam um show dançando ao som de Chubby Checker, Elvis Presley, Johnny Cash e outros; também as músicas românticas de Charles Aznavour, Adamo, Beatles e Marmelads eram as nossas prediletas. Mais tarde veio os “bailinhos” com os compactos simples e duplos do Zé Dudu para dançar de rosto colado (quando era permitido). 
Não posso deixar de contar que a sede nova foi também palco de muitos carnavais, festa de Natal, Ano Novo, eventos cívicos, casamentos, quadrilhas nas festas juninas e até uma peça chamada Cala Boca Etelvina encenada pelo pessoal da Light Cambuci-SP. 
Depois dos anos setenta não sei o que rolou por lá, pois eu já tinha ido embora, mas é muito bom reviver estes momentos, éramos todos jovens...

terça-feira, 22 de agosto de 2017

AMÍGDALAS OU AMIDAS ?

AMÍDALAS OU "AMIDAS" ?
 

 Na semana passada, em visita ao meu médico, ele foi taxativo. Disse-me ali, "na lata", que tão cedo não vou ficar curada da artrose que tenho no joelho, recomendando-me muito repouso. Como sou obediente, acatei a ordem do doutor e aproveito para ficar escrevendo; o que, aliás, é uma delícia porque fico viajando neste "Túnel do Tempo", que me proporciona muita felicidade.
Pensando bem, os médicos poderiam ser mais piedosos com os seus pacientes, pois como diz um ditado antigo: “Uma boa palavra cura até falta de dinheiro”. Talvez seja por isso que os videntes estão sempre lotados, ninguém sai de lá sem alguma esperança: para as solteiras, você vai arrumar um namorado lindo, rico, não vai precisar trabalhar e vocês vão ser felizes para sempre.
Às separadas, seu marido ainda te ama e vai voltar para você. São doces mentiras, como aquela outra: "Você vai ganhar SOZINHA na megasena acumulada. Vai que dá certo!"
Quem já leu "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector, sabe como a Macabéa morreu feliz. Na vila da Light raramente víamos um médico. Dr. Garcia, que resdidia em Votorantim, aparecia muito esporadicamente, quando alguém precisava dos seus cuidados. Ele vinha com seu jipe, pois as estradas eram todas de terra e quando chovia era um lamaçal só.
Quando o caso era dor de garganta, o problema era resolvido rapidinho. O paciente era levado para a Santa Casa de Sorocaba, para ser atendido pelo Dr. Stilitano que sem pensar muito já ia logo tirando as duas amídalas (ou "amidas" como diziam os menos letrados) de quem estivesse ali com a boca aberta à sua frente.
Cirurgia feita, o paciente voltava para a vila da Light no Porcão de 1h20 da tarde, com direito a chupar tantos sorvetes quanto conseguisse para ir aliviando aquela sensação de beliscada na garganta, oba!! Não tenho bem certeza, mas acho que metade de ex-moradores da vila não possui mais este órgão...
Mas, na verdade, nossas mães, mais que médicas, eram sábias. Sempre tinham remédios para tudo: mercúrio cromo, servia para todos os tipos de ferimentos (menos picadas de cobras); chá de poejo e hortelã, para lombrigas assanhadas dor de barriga e gases; folha de batata doce cozida em água, santo remédio para dor de dente. Para deixar o filho lindo e corado, Biotônico Fontoura, aquele em cuja bula tinha o Jeca Tatu e os animais todos calçados com botinhas. Batido no liquidificador com leite moça e ovos de pata, então, o biotônico ficava uma gostosura!
Não posso me esquecer do famosíssimo "Óleo de Fígado de Bacalhau" aquele que tinha um homem fazendo  força para carregar um baita peixão nas costas (mas este já era mais caro, não era pro nosso bico).
Mas, fantástico mesmo, era o melhoral, um "santo remédio" segundo o meu pai.Todas as vezes que ele saía do banho, ele tomava um, para não pegar resfriado (e, sim, ele tomava banho todos os dias!). Na verdade, ele tinha horror à água fria, por isso nunca nadou na Cachoeira. Tadinho, não sabe o que perdeu!
Lembro-me que, na vila, raramente ficávamos doentes; excetuando-se as pequenas enfermidades já citadas, éramos todos saudáveis. Será que por andarmos descalços, pouco agasalhados, bebermos água da bica (com açúcar cristal e limão), comermos goiabas bichadas, manga com sal, chuparmos cana na roça do Sr. Claudino, criamos resistência?
Se tudo isso fez bem para nós tenho cá minhas dúvidas... Só sei que todos sobrevivemos com muita saúde, sem contar as complicaçõesinhas próprias da idade e que agora  tem quatro dos nossos tentando salvar o planeta, digo a nossa vila. A primeira letras de seus nomes seriam J.O.B.B e parace que os tais, se auto-intitulam "Os 4 Mosqueteiros" ou "Os 3 Mosqueteiros mais Dartagnan". Pelo que sei esses combatentes já tem até um blog, com mais de  60 mil acessos em menos de um ano chamado "Filhos da Light".
Que Deus tenha piedade de seus adversários! (God have mercy) Porque saúde, os caras devem ter...e muita!!
(Quase ia me esquecendo de outra de nossas iguarias miraculosas: içás torradinhos na chapa, com sal. Que levante a mão quem nunca comeu!)

A TRILHA

A TRILHA

Trilha é um caminho estreito por onde passamos em busca de um tesouro, não é algo feito e, sim, à conquistar e sempre sugere uma aventura. Alguns anos atrás, quando éramos muito jovens eu e meus irmãos, certa vez, fizemos uma trilha, mais precisamente, num dia de Ano Novo.

Nesse dia as pessoas da redondeza e também as da vila costumavam ir ao encontro da santa (uma imagem de nossa senhora Aparecida que era trazida para Sorocaba) e nós lá em casa resolvemos fazer algo diferente, fomos ao encontro de outra coisa que nos era sagrada: do nosso SANTUÁRIO ECOLÓGICO!

Assim, logo de manhã começamos a nossa jornada para a qual levamos uma cesta repleta de coisas gostosas (sobras da ceia)... e lá fomos nós! Descemos até o acampamento, passamos pela primeira Cachoeira e pegamos a trilha que vai até o escadão e começamos a subir.

O sol começava a dar o ar da sua graça e, na medida em que íamos caminhando, a natureza ao redor ia se revelando cada vez mais linda! Para alcançar novamente a trilha, perto de onde ficavam os canos pretos sobre as corredeiras que vinham lá do Cachoeirão, tivemos que caminhar pulando umas pedras amontoadas umas sobre as outras, parecendo terem surgido de uma grande explosão.

É quase indescritível contar sobre o barulho das águas descendo com aquela rapidez por entre as pedras: era como se tivessem pressa de chegar a algum lugar; ao contrário das aranhas que teciam suas teias, vagarosamente, como tivessem todo o tempo do mundo.

Um pouco mais acima, começamos a caminhar pelo mato ainda molhado pelo orvalho da noite. Mas, o sol, agora um pouco mais forte, começava a aquecer os nossos corpos então, para descansar e matar a nossa sede, paramos nas ruínas da primeira represa que existiu por lá e tomamos água direto da represinha (Impossível crer que alguém pudesse ter chegado até lá com pedras tão pesadas de meia tonelada para a construção).

Aproveitamos a vista deslumbrante daquela mata nativa com sua vegetação, as árvores com suas folhas balançando ao vento e as borboletas, de flor em flor, como se estivessem desejando um FELIZ ANO NOVO A CADA UM.

Pelo caminho era comum ouvir o canto das cigarras que pareciam estarem muito felizes. Uma vez ou outra atravessava o nosso caminho, uma cobrinha, rastejando ligeiras e indiferentes, como se não estivéssemos ali. Vimos também uns lagartos (calangos?) meio desconfiados tomando sol sobre canos e pedras.

Chegando ao alto do morro não vimos uma viva alma: acho que estavam ainda todos dormindo pela festança da noite anterior, menos as vacas, estas, fazendo um barulhão para tentar acordar os dorminhocos.

Fomos até o portão da estrada e rumamos para a represa. Naquela época era pouco o movimento, então, demos uma paradinha obrigatória na "Água do Bolino" e seguimos em frente sempre brincando e conversando de modos que nem sentimos a caminhada.

Chegando à barragem, nos sentamos embaixo de uma árvore onde degustamos o nosso lanche com direito a tubaína quente (Bem, alguma coisa tinha que ser menos legal, né?).  Dali mesmo, pouco depois, vi o Wande, o Paulo e o João brincando na água enquanto eu pensava que aqueles meninos eram mais que meus irmãos, pois eu também ajudei mamãe a criá-los...
Na volta descemos pelo trole e chegamos em casa exaustos fisicamente, porém, felizes da vida! Meus queridos, quero dizer que amo vocês e espero que vocês se lembrem desse dia especial, em nossas vidas, tanto quanto eu.