EXISTE UM VELHO DITADO QUE DIZ: "PALAVRAS PROFERIDAS SÃO COMO PEDRAS QUE ROLAM, NÃO TÊM MAIS VOLTA".
QUANDO EU MORAVA NA VILA ERA MUITO COMUM AS PESSOAS QUE NOS VISITAVAM PERGUNTAR, SE NÓS NÃO TÍNHAMOS MEDO DE QUE AQUELA ENORME QUANTIDADE DE PEDRAS ROCHOSAS QUE RODEAVAM A NOSSA VILA ROLASSEM MORRO ABAIXO.
COM TANTA BELEZA NATURAL CHEGAVA ATÉ SER GROTESCA TAL INSINUAÇÃO E, MEDO, ERA UMA PALAVRA QUE NÃO EXISTIA EM NOSSO VOCABULÁRIO, ATÉ PORQUE NUNCA PERDI UMA NOITE DE SONO POR SABER QUE LOGO ACIMA DA NOSSA CABEÇA EXISTIA UMA REPRESA COM TRILHÕES DE LITROS DE ÁGUA E ESTA ERA A RAZÃO DE MORARMOS NAQUELE LUGAR, QUE POR SINAL É MUITO FAMOSA HOJE.
ENQUANTO MOREI LÁ NUNCA SOUBE DE ALGUM ACIDENTE GRAVE, MAS BOATOS ERAM MUITO FREQUENTES.
AINDA CRIANÇA SONHEI QUE TINHAM ABERTO AS COMPORTAS E AS ÁGUAS DESCIAM COM MUITA FÚRIA PELO INCLINADO E EU CORRENDO COM TODA AQUELA ÁGUA NO MEU CALCANHAR... UFA!
GRAÇAS A DEUS FOI APENAS UM SONHO E LOGO VOLTEI DORMIR.
VIVER NAQUELE PEDAÇO DE CHÃO ERA UMA GRANDE AVENTURA, SE EMBRENHAR NAQUELAS MATAS COM SUAS BELEZAS NATURAIS, ONDE ENCONTRÁVAMOS ORQUÍDEAS DE VÁRIAS ESPÉCIES E LINDAS AVENCAS QUE FICAVAM EM BAIXO DAS PEDRAS.
ALGUNS ANOS ATRÁS NOSSA VILA FOI CASTIGADA POR UM VENDAVAL COM FORTES CHUVAS QUE CAUSOU UM DESLIZAMENTO DE TERRA, ONDE ROLOU UMA DAS PEDRAS E DESTRUIU O ARMAZÉM. FELIZMENTE NINGUÉM FICOU FERIDO, MAS FOI UM GRANDE SUSTO.
FICO IMAGINANDO COMO DEVE ESTAR O NOSSO VALE HOJE COM TODA AQUELA VEGETAÇÃO CRESCENDO CADA VEZ MAIS BONITA, DEVE ESTAR UM VERDADEIRO SANTUÁRIO ECOLÓGICO, PODERIA ATÉ SE TRANSFORMAR EM UM TEMPLO DE MEDITAÇÃO, COM AQUELES SONS DAS NOSSAS EXUBERANTES CASCATAS.
POR TANTAS BELEZAS PODEMOS NOS CONSIDERAR FILHOS DO SOL, DOS VENTOS, DAS MATAS, DAS ROCHAS E DAS ÁGUAS.
TENHO CERTEZA QUE NÓS FILHOS DA LIGHT FOMOS ESCOLHIDOS PARA NASCER NESSE VALE, PORQUE AS PESSOAS QUE VIERAM DE TANTOS LUGARES DIFERENTES ESCOLHERAM FICAR QUANDO TERMINOU AQUELA GRANDE OBRA, E NÃO VOLTAR PARA SUAS ORIGENS.
QUANTO AS PALAVRAS PROFERIDAS NÃO TEM VOLTA, SÃO COMO PEDRAS QUE ROLAM MONTANHA ABAIXO, IMAGINEM PALAVRAS ESCRITAS, ESTAS IRÃO ETERNIZAR O NOSSO VALE ENCANTADO E OS FILHOS DA LIGHT, PODEM ACREDITAR.
PEÇO DESCULPAS SE ÀS VEZES PAREÇO REPETITIVA, MAS O MUNDO PRECISA SABER QUE ESSE PARAÍSO EXISTE E SE CHAMA ITUPARARANGA.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Gostos e Sabores
Hoje acordei com um gosto de figo na boca, aquele que é cheio de espinhos e se chama figo da índia. Quando criança era muito comum encontrá-los nos nossos quintais na vila em que nasci e morei um bom tempo da minha vida.
Atualmente existe uma técnica para descascá-los, é só colocar na chama do fogão que fica fácil de tirar a casca, mas eu ainda gosto do modo antigo que fazíamos quando criança e sempre ficávamos com as mãos e a boca cheia de espinhos. Confesso que doía um pouco para tirar, mas mesmo assim era gostoso.
Nossa vila tinha muitas árvores frutiferas, na frente da nossa casa tinha uma parreria de uvas brancas e na lateral, uvas pretas. Nas casas vizinhas não era diferente, o nosso pomar era formado por figueiras, abacateiros, ameixeiras e mangueiras. E sem contar os coqueiros pés de ingás, amoras e goiabas que nasciam no mato.
Também as frutas exóticas como arichicum e fruta do conde e outras tantas; a garapa feita com as canas que eram colhidas pela minha mãe tinha um sabor inesquecível. As compotas de laranjas azedas e outras frutas não podem ficar de fora deste cardápio de lembranças saborosas.
Mas voltando ao figo, ao fazer uma pequena pesquisa me surpreendi com as informações sobre uma fruta que para nós era muito simples e que nasciam em qualquer lugar. O figo da índia ou do inferno como é chamado, veio do México e foi trazido por D João IV para o Brasil.
As suas árvores formadas de palmas duram mais de cem anos, enquanto mais velhas produzem mais frutos.
Seu uso medicinal é infinito. Segundo pesquisas ele é considerado adstringente, indicado para tratamento de asma e outros problemas respiratórios, xarope para a tosse e devido aos seus sais minerais é diurético, além de auxiliar em inflamação de bexiga e ser uma das opções do mercado atual para tratamento de emagrecimento, dentre tantas aplicações.
Será que ela ficou milagrosa? Espero que chegue logo o dia em que eu possa voltar para o meu vale encantado e rever a árvore centenária que fez parte da minha infância tão maravilhosa.
Com certeza quem deve estar degustando toda essa deliciosa variedade de frutas são os pássaros ,que naquela época também já existiam muitos. Bons tempos....Bons tempos......
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Fogão de Lenha
Na vila da Light todas as casas tinham um fogão de lenha com exceção da chefia que era elétrico.
Três vezes por semana passava o Sr. João Monteiro que trabalhava na serraria no alto do morro deixando para cada casa, do balanço. três feixes de lenha cortada com 70 centímetros de comprimento. Cada feixe era envolto por um aro de ferro o qual pegávamos para brincar de rodar arquinhos e nunca estava no lugar quando ele voltava para recolher.
Muitas vezes essa lenha estava verde o que causava muita fumaça e não atendia as necessidades. Então mamãe achou melhor começar a buscar lenha no mato, eu ia com ela e sempre resmungando, pois era preciso fazer uma boa caminhada.
Descia até o acampamento, passava na casa da Dona Cida uma grande amiga dela e seguíamos para o mato pra lá do rio, atravessávamos a ponte e seguíamos em frente mais um quilometro.
A lenha chamava-se vassoura, era uma espécie que tinha muito então as duas pegavam as suas foices e começavam a derrubar as árvores, enquanto as madeiras iam para o chão eu observava o suor que escorria de seus rostos tão bonitos e muito jovens. Apos 15 dias que elas voltavam para recolher, pois já estavam bem secas.
Na volta parávamos um pouco na casa da Dona Cida e logo em seguida subíamos para a casa, pois mamãe tinha que preparar o almoço já que nosso pai só gostava das refeições preparadas por ela.
Quando íamos apanhar as lenhas, mamãe fazia um feixe bem grande para ela e um pequeno para mim, o qual no meio do caminho desistia e ela acabava levando os dois.
Ela fazia um pano torcido para por na cabeça que se chamava ródia (rodilha nome espanhol) que servia como um protetor para carregar pesos sobre a cabeça e depois de colocado só baixava quando chegava em casa, às vezes ate parecia um pouco exibição com tanta habilidade.
Hoje eu entendo que ela me levava com ela era para lhe fazer companhia, naquela época às mulheres casadas só podiam sair acompanhadas, mesmo que fossem só pelas redondezas.
Certo dia meu pai apareceu com um fogão a gás com três bocas que o Senhor Belmiro tinha comprado para a casa dele, mas a esposa não gostou.
Tudo bem, foi desocupado o lugar entre a mesa e a pia onde foi colocado o tal fogão, mamãe colocou uma toalha de crochê em cima com uma fruteira e assim permaneceu lá sem ter nenhuma função. Só bem tarde quando mudamos de casa é que começamos a usá-lo, na verdade ela adorava logo de manhã acender o seu fogão e ver aquela lenha bem sequinha formando as labaredas vermelhas aquecendo o seu caldeirão de feijão e os estalos da lenha queimando, que mais pareciam estrelas subindo para o céu e para nos crianças era muito bonito de ver.
Mas para assar frangos, pães, bolos e outros eram feito no forno de tijolos que tínhamos no quintal.
Escrevendo essas linhas que eu vejo o quanto minha mãe era uma mulher forte e corajosa. Nunca deixou de ser bondosa e carinhosa com todos que estavam a sua volta, foi realmente uma lição de vida!
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
As Férias dos Castro
As férias do meu pai sempre começavam no dia primeiro de maio. Mas, por ser o dia do trabalhador e nossa Vila ter a maior festança (começava com o tradicional churrasco e terminava com o grande baile que para os jovens era o ápice da festa) ele deixava para o dia seguinte, quando colocava as bagagens no seu automóvel e saía para suas merecidas férias, já que sua profissão de ferreiro exigia muito durante todo o ano.
Lembro-me como hoje, que as férias eram divididas em duas partes: A primeira era a ida para o sitio do Tio Pedro na cidade de Elias Fausto-SP (próximo a Campinas) e apesar de não avisarmos nossa chegada, pois naquela época ainda não existia telefone por lá, éramos muito bem recebidos.
Até posso imaginar o que eles pensavam vendo aquele carrão cheio de crianças descendo para ficar uma semana. Não faz muito tempo e um dos meus primos esteve nos visitando e comentou que eles pensavam que éramos ricos e sentiam até um pouco de inveja quando meu pai parava aquele carro enorme, na verdade eles raramente viam por lá.
Comentou também que vida na roça era muito dura e que até as crianças começavam muito cedo na labuta para ajudarem a família que era grande. Hoje Graças a Deus e muita perseverança estão todos bem.
O que eu mais adorava era a hora de levar o almoço para o pessoal na roça, foi lá que conheci plantações de berinjela, tomates, pimentão e moranguinho, que forma trazidas pela cultura japonesa.
Enfim, depois de atrapalhar um pouco a rotina dos parentes voltávamos para a nossa casa.Viajar era bom, mas voltar para o nosso vale encantado era muito melhor, era como se vivêssemos em férias sempre.
Meus pais seguiam para a segunda etapa da viagem, rumo à cidade de Aparecida do Norte-SP e agora eram só os dois!
Mamãe arrumava os cabelos e colocava sua melhor roupa; meu pai preparava seu terno de casimira, sapatos de couro mandado fazer sob medidas, chapéu da fábrica Ramenzoni três X e seguiam para Aparecida onde os católicos costumam ir até hoje para agradecer as graças recebidas durante todo o ano.
Ficavam num hotel bem próximo a Catedral e assim podiam acompanhar todos os eventos religiosos: missas, novenas e a benção das três da tarde que mamãe acompanhava o ano inteiro pela rádio Aparecida.
Enquanto aguardávamos o recado deles pela rádio em casa na vila a minha irmã mais velha Nair já estava surtando de tanto apartar brigas das crianças que eram uns “pestinhas”.
Às dez da manhã do dia seguinte nós ficávamos de ouvido colado no nosso rádio de válvula para ouvir as vozes dos nossos amados avisando que tinham feito uma ótima viagem.
Acreditem na época era muito chique isso, pois o rádio era um meio de comunicação muito importante.
Aguardávamos ansiosos pela volta deles, afinal traziam um monte de presentes, incluindo as medalhas de santos que em um passe de mágica sumiam todas (Já viu criança guardar direito as coisas... rsrsr).
O jeito era esperar as próximas férias onde tudo se repetia e posso afirmar o quanto era muito bom. Depois que eu cresci passei a levá-los para a tão famosa viagem a cidade de Aparecida, meu pai já com idade avançada gostava de almoçar nos melhores restaurantes e adquirir nas lojas de souvenirs canivetes para a sua coleção que foi desfeita após a sua partida.
Peço desculpas se hoje me alonguei um pouco mais, mas sempre me emociono com as doces lembranças que vivi.
Lembro-me como hoje, que as férias eram divididas em duas partes: A primeira era a ida para o sitio do Tio Pedro na cidade de Elias Fausto-SP (próximo a Campinas) e apesar de não avisarmos nossa chegada, pois naquela época ainda não existia telefone por lá, éramos muito bem recebidos.
Até posso imaginar o que eles pensavam vendo aquele carrão cheio de crianças descendo para ficar uma semana. Não faz muito tempo e um dos meus primos esteve nos visitando e comentou que eles pensavam que éramos ricos e sentiam até um pouco de inveja quando meu pai parava aquele carro enorme, na verdade eles raramente viam por lá.
Comentou também que vida na roça era muito dura e que até as crianças começavam muito cedo na labuta para ajudarem a família que era grande. Hoje Graças a Deus e muita perseverança estão todos bem.
O que eu mais adorava era a hora de levar o almoço para o pessoal na roça, foi lá que conheci plantações de berinjela, tomates, pimentão e moranguinho, que forma trazidas pela cultura japonesa.
Enfim, depois de atrapalhar um pouco a rotina dos parentes voltávamos para a nossa casa.Viajar era bom, mas voltar para o nosso vale encantado era muito melhor, era como se vivêssemos em férias sempre.
Meus pais seguiam para a segunda etapa da viagem, rumo à cidade de Aparecida do Norte-SP e agora eram só os dois!
Mamãe arrumava os cabelos e colocava sua melhor roupa; meu pai preparava seu terno de casimira, sapatos de couro mandado fazer sob medidas, chapéu da fábrica Ramenzoni três X e seguiam para Aparecida onde os católicos costumam ir até hoje para agradecer as graças recebidas durante todo o ano.
Ficavam num hotel bem próximo a Catedral e assim podiam acompanhar todos os eventos religiosos: missas, novenas e a benção das três da tarde que mamãe acompanhava o ano inteiro pela rádio Aparecida.
Enquanto aguardávamos o recado deles pela rádio em casa na vila a minha irmã mais velha Nair já estava surtando de tanto apartar brigas das crianças que eram uns “pestinhas”.
Às dez da manhã do dia seguinte nós ficávamos de ouvido colado no nosso rádio de válvula para ouvir as vozes dos nossos amados avisando que tinham feito uma ótima viagem.
Acreditem na época era muito chique isso, pois o rádio era um meio de comunicação muito importante.
Aguardávamos ansiosos pela volta deles, afinal traziam um monte de presentes, incluindo as medalhas de santos que em um passe de mágica sumiam todas (Já viu criança guardar direito as coisas... rsrsr).
O jeito era esperar as próximas férias onde tudo se repetia e posso afirmar o quanto era muito bom. Depois que eu cresci passei a levá-los para a tão famosa viagem a cidade de Aparecida, meu pai já com idade avançada gostava de almoçar nos melhores restaurantes e adquirir nas lojas de souvenirs canivetes para a sua coleção que foi desfeita após a sua partida.
Peço desculpas se hoje me alonguei um pouco mais, mas sempre me emociono com as doces lembranças que vivi.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
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