domingo, 24 de abril de 2011

Feliz Páscoa


*foto internet



Desejo uma Feliz Páscoa a todos e Agradeço pelos mais de 12 mil acessos.

Abraços

Natalina

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sexta feira da paixão até domingo de páscoa


Não me esqueço de como esse dia era importante lá em casa, na sexta de manhã minha mãe começava a preparar o almoço com o bacalhau que já estava de molho na véspera.

Era quase um ritual todos os anos, atrás da porta da cozinha tinha uma espécie de um varalzinho onde ficavam pendurados os peixes salgados para serem preparados na sexta feira santa.

Esse dia era guardado por todos com o maior respeito, não podíamos nem falar em voz alta parecia que havia morrido alguém muito querido. Como criança eu não entendia muito bem , mas era um dia muito triste .

Almoçávamos o delicioso arroz com bacalhau e o famoso bolinho acompanhado de vinho tinto que para nos crianças era diluído em água com açúcar e o sabor é inesquecível.


Como morávamos distante raramente acompanhávamos os rituais religiosos. Sábado de aleluia eu acordava bem cedo para acompanhar os preparativos da malhação do Judas que era amarrado num poste onde todos pudessem ver,eu não entedia muito bem a historia mas só de saber que ele era o causador da morte de Jesus me deixava revoltada e junto com outras crianças atirava pedras nele e xingava com todos palavrões que sabia.


Exatamente ao meio dia era ateado fogo nele e como era preenchido de palha de milho seca queimava que era uma beleza e todos voltávamos para casa com a sensação de termos feito a coisa certa digamos de alma lavada pagando o mal com o mal.

Finalmente DOMINGO DE PÁSCOA, nesse dia era uma festa onde nossa família se reunia e mamãe e minha irmã mais velha Nair iam para a cozinha e preparavam comidas deliciosas com direito as sobremesas: doce de abóbora, manjar de coco branco com calda de ameixas e manjar de chocolate e bolacha Maria.

Ovos de páscoa só conheci quando já tinha uns 6 anos, foi meu cunhado trouxe e dizia que na casa dele  tinha uma galinha no porão que só botava ovos de chocolate, para não ser indelicada fingi que  acreditei.


Naquela época não havia esse consumismo desvairado e éramos muito mais felizes. Mas o que eu gostava mesmo era o bombom sonho de valsa e guardava a embalagem dentro do meu livro para eternizar aquele pequeno momento de prazer (não sei se era impressão minha, mas era mais gostoso o bombom antigamente).

 Feliz Páscoa a todos!!!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Um presente de Deus



Logo após o meu casamento eu e minhas duas irmãs montamos um ateliê de costura no centro da nossa cidade. Me lembro que no final de ano costuramos mais de noventa calças masculinas e os negócios iam de vento em polpa.


Quando minha irmã caçula engravidou da sua primeira filha, então ficamos só as duas e passado algum tempo eu engravidei e o ateliê ficou com minha irmã mais velha.


O tempo foi passando e eu tive três filhos, logo que eles cresceram eu voltei a trabalhar, mas agora era com pintura a porcelana. Quando minha filha terminou o colegial em técnica de processamento de dados não arrumava emprego , então resolvemos montar um "garajão" como fazem nos Estados Unidos. A adesão dos parentes foi maciça, minha mãe doou um monte de presentes que havia ganho em suas bodas de ouro, e por sinal nunca tinha usado as xícaras, travessas, cristais e assim por diante. Alguns parentes disponiblizaram calçados, roupas e objetos que não utilizavam mais.




Como eu tinha mudado para uma casa nova sobraram da casa velha tapetes, móveis, máquina de costura, secadora, torneiras , lustres e afins. Começamos na garagem de casa, mas o sucesso foi tão grande que logo alugamos um salão no centro da cidade. Há 15 anos atrás, numa cidade de oitenta mil habitantes nós fomos o primeiro Brechó local.


Em três meses mudamos duas vezes e sempre para um lugar maior. Não demorou muito e tinhamos vários setores: computadores, livros, discos, utensílios, roupas e sapatos.




Não sei precisar quantos computadores nós vendemos, mas sei que foram muitos e era muito gratificante quando eu e minha filha íamos na casa das pessoas fazer a entrega. Muitas vezes as pessoas estavam nos esperando na frente da casa e quando entravamos tinha uma mesa de café com muitas delicias para degustarmos.


Enquanto minha filha Mare instalava o computador, eu ia conversando com os donos da casa e comendo coisas gostosas que serviam. Comi muito peixe frito, doce de abóbora e pão caseiro.


Com o passar do tempo mudamos para a cidade mais próxima (Sorocaba-SP), esta já tinha mais de quinhentos mil habitantes e achamos melhor optar vender discos, livros, cds, revistas, hqs e acabou se transformando em um sebo.


Hoje, nosso Sebo é muito conhecido, vendemos para o Brasil todo e outros países. Minha filha está atuando no ramo de gastronomia e que administra a loja agora é meu caçula Glauco.


Posso dizer que foi a melhor coisa que aconteceu nas nossas vidas e que realmente é um presente de Deus, pois não investimos para que ele surgisse, acreditamos que nosso pai eterno lapidou o que tinhamos e nos conduziu a essa atividade deliciosa que fazemos hoje:  Manter a chama do passado vivo e enriquecendo a cultura das pessoas.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

11.000 Acessos !!


Já passamos dos 11.000 acessos !! Muito obrigado a todos que acompanham meu blog.Quero agradecer também a meus parceiros: Radio Cozinha Brasil,TV Experimentare Gastronomia,Mare Discos e Sebo Túnel do Tempo. Um agradecimento especial também aos meus filhos: Saulo, Mariana e Glauco pelo apoio que me dão.

terça-feira, 22 de março de 2011

Rua Moacyr de Castro - Uma prece para meu querido irmão



Hoje seria o aniversário do meu irmão mais velho Moacyr. Primogênito do seu José e Dona Maria de Castro tinha como marca registrada a alegria, o bom humor e estava sempre pronto para ajudar o seu próximo.



Nascido na cidade de Elias Fausto SP veio ainda muito pequeno com nossos pais e irmãos Toninho e Nair morar na Usina de Itupararanga, nosso vale encantado que ele amava e passou grande parte da sua existência.


Trabalhou até se aposentar no quadro de operações e nas folgas seu hobby era a pescaria. Segundo meu irmão Toninho ele era o cozinheiro oficial quando acampavam ao redor da represa para pescar os lambaris, as traíras e a deliciosas tilapias que foi trazida pelos portugueses a nossa terrinha.


Além de preparar os peixes sua especialidade era o arroz com frango que ele levava vivo e o mesmo ficava ciscando por perto até a hora de ir para panela (naquela época não se falava em congelados).


As pescarias nem sempre deram muito certo, em uma ocasião quando ainda eram pequenos ele fisgou o dedo do Toninho ao lançar o anzol na água, voltando para casa os dois chorando encontraram com a Dona Elvira que rapidamente resolveu o problema cortando o anzol com um alicate.

Com certeza esse não foi o motivo para desistirem ,até onde sei pescaram muitas vezes juntos ate fora do Brasil.


Certa vez eles tiveram a idéia de dar um susto na nossa mãe, foram até o pé de amora se fartaram da fruta passaram o restante no rosto e corpo e chegaram chorando... Passado o susto os dois ficaram de castigo.


Era um grande apreciador de música na época da moda caipira ou raiz como queiram. Na sede velha era onde acontecia os grandes eventos e o próximo seria um grande show de cururu logo mais a noite, colocou o seu terninho de missa passou brilhantina nos cabelos e foi todo cheiroso para o famoso evento.


Como nossa casa era próxima dava para acompanhar tudo. As horas foram passando e tudo quieto a não ser o som dos grilos e os sapos era um silencio total. Mamãe acordou o Toninho e foram ate lá e ao adentrar o local que já estava fechando as portas encontraram o mocinho dormindo em cima de uns sacos de estopa que estavam num canto.


Quando ele tinha uns 13 anos fazia ligação direta na moto do nosso pai para dar umas voltas com a Harley Davidson e depois colocava no mesmo lugar, ainda bem que nosso pai nunca ficou sabendo para sorte dele.


Meu querido irmão Moacyr foi uma pessoa do bem e deixou muitos amigos os quais o acompanharam na brava luta contra a doença que infelizmente tirou a sua vida em tão pouco tempo. Estes são apenas uns  poucos casos dos muitos que ele contou nos momentos em que lhe fiz companhia nas suas idas ao hospital.


Passado algum tempo o seu nome foi escolhido para ser o nome da rua do local que trabalhou até se aposentar na cidade de Sorocaba-SP, quando foi descerrada a placa todos os amigos estavam lá. Foi uma grande emoção.


Mano querido dedico esta crônica a você com muito amor




sexta-feira, 18 de março de 2011

Vestidos em Santos


Nash 1956

Seu Bentinho Arruda e sua esposa Dona Donneire (não era francesa, só o nome), mas para os íntimos Dona Donaria que eram nossos vizinhos e também amigos da família.


Todas as vezes que nascia um bebe lá em casa era na casa deles que nos ficávamos até a cegonha, digo a parteira ir embora. Quantas noites amanhecemos lá, pois como é sabido os bebes não tem hora certa para chegar.



Como o tempo passa muito rápido e as crianças já estavam grandinhas os amigos resolveram fazer um a viagem até Santos SP para conhecerem o mar, até porque nenhum deles tinham tido esse prazer.



Depois da reunião feita em casa, decidiram que iriam no carro de praça do Senhor Jarbas o único da cidade de Votorantim. Chegou o dia marcado todos estavam prontos e ansiosos para a grande aventura.

Mamãe como era uma mulher prevenida levou uma cesta cheia de guloseimas, e Dona Donaria não foi diferente pois era uma quituteira de mão cheia. Além dos dois casais a minha Irma Inês foi também, alias em quase todos os lugares mamãe a levava como acompanhante (acho que este e o motivo dela gostar tanto de viajar, já perdi a conta de quantos países ela conhece).


Chegando a antiga estrada do mar ficaram deslumbrados com as belezas naturais e logo mais a frente da janela do automóvel enxergaram mar com aquele verde azulado e suas ondas enormes vindo quebrar na praia com suas águas mornas.






Pena que não puderam desfrutar de todo esse paraíso porque ninguém levou maiô. Nessa época, Santos estava no auge, recebia turistas do mundo inteiro pelas belezas de suas praias e o glamour dos cassinos e hotéis cinco estrelas.






Não tenho idéia de quanto custou essa viagem, mas acredito que valeu cada tostão (como diziam os antigos), regressaram para casa todos alegres e felizes pelo lindo passeio, só a Inês que estava meio apreensiva ao contar que uma onda correu atrás dela até o calçadão..... pensem bem até onde foi a minha imaginação.


Só fui conhecer o mar quando eu tinha 13 anos e me apaixonei por ele. Quanto aos “amigos turistas” fizeram muitas viagens juntos, mas sempre por perto e era o meu pai que dirigia o seu famoso carrão.



Ao escrever esta crônica me deu uma saudade imensa dos amigos tão queridos que como meus pais não se encontram mais aqui, mas estas Doces lembranças ficarão comigo para sempre.


*Fotos internet

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mais de 10 mil acessos - Muito obrigada


Tudo começou no ano passado quando senti aflorar na minha memória as lembranças de minha infância, juventude e assim por diante.

As linhas transcorridas repletas de emoções saíram do meu caderno e se transformaram nesse blog a fim de poder dividir com todos a trajetória não só da minha vida, mas de todos que fizeram parte dela até meus 64 anos.

Aqui relembrei minha mãe, meu pai, avós, tios, amigos, irmãos, filhos e tantas outras pessoas que fizeram a minha felicidade e contribuiram para a minha formação.

O melhor de tudo nessa vida é estar ao lado daqueles que se ama e quando não podemos, criar um espaço para isso é gratificante.


A internet possibilita a quebra de barreiras e hoje minhas crônicas são lidas em mais de 17 países e de repente a minha mãezinha está lá em Portugal sendo relembrada por tudo que fez.

Então, quero agradecer por todos que colaboraram com a marca de 10 mil acessos e desejo que os mesmos 10 mil sejam retribuídos em alegria, paz, amor e muita amizade.

Deixo aqui um belíssimo video da cantora portuguesa Dulce Pontes como presente a vocês